VRock é o melhor jogo de 2016 e "o telefone começou a tocar"

Segunda edição dos prémios Playstation que distinguem talento nacional deu 10 mil euros a jogo de realidade virtual. Chega ao mercado em 2018

Rogério Ribeiro é um apaixonado por videojogos. Começou por ser um consumidor, mas sempre disse que um dia ia estar do outro lado. Porém, a empresa que foi a grande vencedora da segunda edição dos prémios Playstation Talents Portugal, não teve sucesso imediato. Rogério decidiu arriscar em 2013 e criar a primeira start up para a criação de videojogos. O negócio acabou por não vingar e nesse mesmo ano nasceu a Game Studio 78, que recebeu agora os prémios de melhor videojogo de 2016 e de jogo mais inovador.

Um investimento - o vencedor recebeu 10 mil euros, kits de desenvolvimento para a PS4 e uma campanha promocional nos canais da Playstation no valor de 50 mil euros - que Rogério Ribeiro acredita vai dar o impulso que faltava à Game Studio 78. Aliás o impacto do prémio, recebido a 19 de janeiro, já começou a notar-se: "O telefone no dia a seguir começou a tocar."

O VRock tem agora dez meses para ser terminado e entrar no mercado. "Sabemos que é apertado, mas no início de 2018 estará à venda", acredita Rogério Ribeiro. Para que os gamers possam experimentar a sensação de ser uma estrela rock, estão a trabalhar "quatro pessoas" em exclusivo e "a equipa vai ser reforçada" com mais elementos, adianta o responsável.

O jogo onde se é uma estrela rock

No jogo que foi pensado para o sistema de realidade virtual da PlayStation, o PlayStationVR, os jogadores podem experimentar ser baterista, baixista, guitarrista ou vocalista de uma banda rock. "Há desafios que são colocados depois aos elementos da banda", explica.

Com um jogo à venda - o Hush, inspirado nos medos, pesadelos e sonhos da infância -, a Game Studio 78 tem ainda em lançamento mais três, além do VRock. "Primeiro tínhamos só um cavalo e ele falhou e agora estamos a diversificar. Lançámos o Hush, temos o VRock em preparação, e este ano vamos lançar para mobile o Poligon, o Tanks Meet Zombies e o A Horde Too Many, também de zombies. Vai ser um ano fantástico."

A construção destes jogos é feita a partir de vários lugares de Portugal. "Temos 10 a 12 pessoas, as equipas estão distribuídas pelo país. Dois artistas na Madeira, depois temos pessoas em Lisboa, Coimbra, Algarve." Rogério Ribeiro, do Porto, é o CEO e gestor das equipas. Explica que vai "identificando os recursos e estes vão sendo alocados projeto a projeto".

Sem formação na área do design, Rogério vai gerindo o seu trabalho de sonho do ponto de vista da "gestão de equipas e de produto". Em quatro anos, conseguiu ser "a primeira empresa a conseguir fechar acordo com marcas como a Sony ou a Microsoft". E embora esse não seja um processo difícil, aponta Rogério Ribeiro, é "muitas vezes longo".

Mas o mais complicado é mesmo "aceder aos kits de desenvolvimento, devido aos custos elevados de aquisição". Este foi um dos prémios que agora ganharam e que Rogério espera que possa ser utilizado para fazer outros jogos para a marca. Outras despesas consideráveis são o licenciamento do software e de certificação. Mais fácil é construir jogos para telemóveis, onde grande parte destas despesas não existe.

Construir jogos para consolas implica sempre "um investimento". Daí que o responsável da Game Studio 78 considere que este prémio "era o clique que faltava". "Agora vamos desenvolver este jogo com o kit, mas estamos convencidos que depois será fácil para replicar para outros projetos."

Com mais este jogo, que ainda por cima vai ter a chancela da Playstation, a Game Studio 78, espera que o prémio abra as portas certas para consolidar o sucesso.

Meia centena de candidatos

A escolha do VRock foi feita depois de analisadas 50 candidaturas. Na entrega dos prémios, Liliana Laporte, diretora geral da Playstation Iberia, referiu que "Portugal é um dos países europeus com maior crescimento nesta área". Um crescimento que garante para já uma nova edição dos prémios no próximo ano.

Os vencedores da primeira edição - o estúdio Fun Punch - foram nomeados para o melhor jogo indie e estiveram na maior feira de videojogos do mundo, a E3, em Los Angeles, como um dos jogos aposta da Playstation. É também por este apoio que os estúdios recebem que Rogério Ribeiro acredita que "este prémio é muito bom, pelas portas que abre".

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