Vacina cubana contra o cancro do pulmão a caminho dos EUA

Fim do embargo permite aos norte-americanos testar inovações científicas produzidas na ilha

Barack Obama visita Cuba dentro de um mês. Será a primeira vez em quase 90 anos que um chefe de estado norte-americano visita aquele país. Mas o que está a deixar os norte-americanos entusiasmados é a possibilidade de acordos para testar medicamentos usados na prevenção e tratamento de alguns cancros.

Em concreto, os dois países já acordaram testar em território dos EUA a Cimavax - que é ao mesmo tempo uma vacina e um tratamento para o cancro do pulmão -, investigada em Cuba há 25 anos e libertada para uso público em 2011. Este acordo foi selado em abril de 2015, aquando da visita do governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, numa missão comercial a Cuba.

Agora o Roswell Park Cancer Institute, em Buffalo Nova Iorque, aguarda que a FDA (Food and Drugs Administration, agência nacional do medicamento) autorize os testes clínicos em solo norte-americano. Sabendo que este é um processo demorado, o médico Kelvin Lee, do instituto que vai fazer os testes, alerta, citado pelo Huffington Post: "Ainda estamos muito no início do processo de acesso a esta vacina, mas as evidências até agora dos testes clínicos em Cuba e na Europa têm sido surpreendentes".

A Cimavax é terapêutica, não serve para prevenir o aparecimento deste tipo de cancro. Funciona ao levar o organismo dos doentes a produzir anticorpos que impedem as células cancerígenas de crescer. Também parece impedir os doentes que já tiveram cancro de voltar a desenvolver a doença, depois de terem sido considerados livres de cancro através do tratamentos convencionais.

Esta vacina não cura os doentes e os testes são ainda limitados, como alerta a organização não-governamental britânica Cancer Research. Até agora os resultados mostram uma melhoria da qualidade de vida dos doentes e um aumento da esperança de vida em quatro a seis meses.

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