Antes de se atirar ao mar Mrs. Brown foi à missa

Susan Brown, de 65 anos, foi vista na missa de sábado numa igreja à hora a que disse ter ido atrás do navio onde julgava ir o marido

Cada vez aparecem mais contradições na história de Susan Brown, de 65 anos, a turista inglesa que espantou meio mundo por se ter atirado ao mar, no sábado, no Funchal, para ir atrás do paquete "Marco Polo" onde julgava ir o marido - quando este tinha, afinal, tomado o voo da Easy Jet para Bristol, onde vivem. Afinal, a versão que Susan contou à capitania do Funchal , de que às 20.30 de sábado, quando estava no aeroporto, viu o navio turístico passar, é desmentida pelo relato de uma testemunha local que a essa hora viu a turista inglesa na igreja de São Pedro, no Funchal, a participar na missa pascal. Esse relato foi reproduzido no "Diário de Notícias da Madeira".

"São factos contraditórios. Se a senhora esteve na missa entre as 19,35 e as 21.30, como relatou essa testemunha, então a história que contou de ter visto passar o navio no aeroporto não bate certo", adiantou ao DN o capitão Félix Marques, da capitania do porto do Funchal.

O que já se percebeu é que Susan Brown chegou a despachar a bagagem no aeroporto do Funchal, juntamente com o marido, no sábado, como referiu o capitão. O casal decidira voluntariamente abandonar na Madeira o cruzeiro turístico das Ilhas Ocidentais que já fazia há 32 dias quando faltavam apenas quatro dias para terminar a viagem, em Bristol.

"Também está confirmado que o seu marido apanhou de facto o voo que estava marcado para ambos no sábado às 19.55", adiantou Félix Marques. Um taxista que levou o casal confirmou que foram juntos para o aeroporto.

Às 22.00 ainda estava na igreja

A partir daqui, as autoridades só têm a versão de Susan, que é rebatida com novas informações que vão surgindo. Afinal, a idosa não pode ter estado quatro horas a nadar e a boiar ao largo do Funchal atrás do paquete Marco Polo, tendo sido resgatada pouco depois da meia-noite de domingo por pescadores. É que a missa em que participou durou das 20.00 às 21.30 e pelas 22.00 foi vista a caminhar num passeio marítimo em frente à igreja de São Pedro.

"Ela participou ativamente na eucaristia, que começou às 20.00, e não deixou a igreja até às 20.45. Participou, cantou e ainda passou algum tempo na capela", contou a testemunha ocular ao Diário de Notícias da Madeira.

Quando foi salva pelos pescadores, a inglesa contou ainda que teve uma zanga com o marido no aeroporto e que ele lhe tinha dito que ia voltar para o Funchal e embarcar no paquete para Bristol. A capitania do porto do Funchal gostaria de ter a versão final do incidente para poder fechar o relatório do mesmo. Mas o capitão Félix Marques ainda não sabe se o marido de Susan, Michael, de 69 anos, vai voltar ao Funchal para a apoiar. "O marido da senhora foi informado pela companhia de navegação do que aconteceu com a sua mulher. A companhia até se disponibilizou para prestar todo o apoio". O marido poderia ajudar a fechar o relatório deste caso.

Susan Brown está internada na casa de saúde psiquiátrica Câmara Pestana, no Funchal, onde lhe terá sido diagnosticado surto psicótico agudo. Deverá ainda permanecer mais uns dias em observação. O DN contactou a unidade de saúde mas o diretor clínico recusou prestar qualquer informação.

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