Empresa quer aumentar
Empresa quer aumentarJorge Amaral / Global Imagens

Transtejo Soflusa quer subir preço do bilhete entre Cais do Sodré e Cacilhas para turismo financiar serviço público

Empresa diz que "mais de 90% dos bilhetes ocasionais" são para turistas e quer reduzir a dependência do Orçamento do Estado.
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A empresa de transporte fluvial Transtejo Soflusa (TTSL) defendeu o aumento do preço dos bilhetes ocasionais na ligação entre o Cais do Sodré, em Lisboa, e Cacilhas, em Almada, para que o turismo financie o serviço público.

“Mais de 90% dos bilhetes ocasionais que eu vendo na travessia entre o Cais do Sodré e Cacilhas são serviço turístico e, portanto, não faz sentido que o bilhete continue a ser dois euros para um serviço turístico, o Orçamento do Estado não tem de financiar o turismo, o turismo tem de pagar o preço e tem de financiar o serviço público”, defendeu o presidente do Conselho de Administração da TTSL, Rui Rei, que foi ouvido na manhã desta quarta-feira, 23 de setembro, na Comissão de Mobilidade e Transportes da Assembleia Municipal de Lisboa (AML).

O responsável do Conselho de Administração, que tomou posse em outubro do ano passado, adiantou que a empresa vai pedir autorização para que o preço do bilhete naquela ligação suba acima do preço da inflação, mantendo o mesmo preço no caso dos passes.

“Nós temos de atualizar as receitas, porque nós dependemos em 68% do Orçamento do Estado e temos de chegar aos 50%”, vincou Rui Rei, revelando também a vontade de que a empresa volte a prestar serviço turístico.

A ideia, detalhou, não é competir com os privados nesta área, mas prestar também “bom serviço turístico”, num futuro próximo, “e gerar daí receitas interessantes e importantes”, estando para isso a terminar o estudo de oferta turística.

A TTSL repôs em novembro a oferta de serviço público, tendo reduzido em mais de 90% as supressões que tinha diariamente.

Para isso contribui a entrada em operação de 10 barcos elétricos, que se somam a 20 embarcações a diesel, após um investimento de 7 milhões de euros em manutenção desde o início do mandato desta administração, adiantou o responsável.

Para o futuro, está em fase de estudos a ligação à Moita, na margem sul do Tejo, e ao Parque das Nações, em Lisboa.

“Estamos a terminar um protocolo [com a Câmara de Lisboa] para que o Parque das Nações se torne efetivo”, afirmou Rui Rei, sem querer avançar mais detalhes, mas adiantando que, “basicamente, não será muito diferente do que lá está hoje, mas com possibilidade de dar serviço de qualidade as pessoas”.

A empresa pretende ainda apresentar ao Governo, até ao final do primeiro trimestre do próximo ano, o plano de renovação da frota, defendendo a utilização de embarcações mais pequenas, até 300 lugares, e mais flexíveis. “De preferência elétricos, a operação elétrica é, de facto, muito mais barata e eficiente”, rematou.

A Transtejo Soflusa SA é a responsável pela ligação fluvial entre o Seixal, Montijo, Cacilhas, Barreiro e Trafaria/Porto Brandão, no distrito de Setúbal, e Lisboa, e transportou 21 milhões de passageiros em 2025.

A empresa espera terminar este ano com um ligeiro crescimento deste indicador, face ao ano anterior, o que, a confirmar-se, representará uma inversão da tendência de diminuição dos últimos anos.

“Não tem nada de milagre, o que é preciso é dar confiança e consistência aos utilizadores de transporte público, se perdemos a confiança num transporte, nós encontramos outra solução, seja o automóvel ou outro”, salientou Rui Rei.

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