"Temos de estar sempre preparados"

O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) explica que não há uma definição comum europeia quanto aos graus de ameaça definidos para cada país ou cidade.

António Nunes diz que independentemente de Lisboa estar no grau 4 (moderado), tem de se aproveitar as grandes concentrações de pessoas para instaurar medidas preventivas

O grau de ameaça terrorista definido para Lisboa e para Portugal é o adequado, na sua opinião?

Os graus são atribuídos através de um conjunto de condições de risco que são multifacetadas. O que interessa não é tanto o nível de ameaça definido mas antes ter um conjunto de forças de segurança capaz de assegurar a tranquilidade e a ordem pública. Até porque não há uma definição comum europeia sobre os graus de ameaça. Por isso não é possível comparar Lisboa a Paris ou Londres. Podemos ter um grau moderado mas tomar as medidas pontuais de prevenção sempre que se justifique, com uma articulação dos serviços de informação com as forças de segurança.

Justificam-se as medidas preventivas e o reforço policial que a PSP está a fazer para a noite de Santo António?

São medidas que têm de ser sempre tomadas. Se ocorresse um incidente e não tivessem sido acauteladas, iríamos sempre dizer que não tinham sido tomadas as medidas preventivas necessárias. Temos de estar sempre preparados, no atual contexto global. E deve-se aproveitar a oportunidade de fazer todo o possível para não haver em Portugal nenhum atentado. E se porventura acontecer, temos de estar preparados para lidar com a situação.

Face à grande procura turística de Lisboa, a cidade corre riscos de sofrer um atentado terrorista numa destas ocasiões em que se juntam milhares de pessoas?

Não me parece. Os atentados noutras cidades europeias foram realizados sempre por alguém que já estava no país, nascido e a residir lá. Nessa perspetiva, nós não temos esse conjunto de bolsas de radicalização que existem noutros países. As forças de segurança estão a acompanhar o que são bolsas residuais de radicalização.

Então por ser uma cidade que atrai milhões de turistas não é um chamariz para grupos de terroristas?

A avaliação de Lisboa não é tão de risco como outras cidades. Não se pode dizer que haja uma apetência especial desses grupos por Lisboa. Será tanta como a que terá Madrid, Barcelona ou Milão. E os mais recentes atentados em cidades europeias não têm sido realizados para atingir o turismo mas para provocar a inquietude de um povo. Por exemplo, em Londres, se os terroristas quisessem atingir o coração turístico tinham feito o atentado em Trafalgar Square [atropelaram pessoas na London Bridge e esfaquearam outras, depois de saírem de um carro, em Borough Market, antes de serem abatidos pela polícia, há uma semana].

O facto de a comunidade islâmica em Lisboa estar integrada também ajuda a diminuir o risco?

Claro. É uma comunidade que não é muito alargada e está integrada, pelo que se aparecer alguém estranho é logo referenciado por eles. Não temos nem a dimensão nem a desestabilização social que existe nos bairros de Paris ou de Londres para criar um risco tão grande. A possibilidade é muito menor mas temos de estar preparados

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