Taxistas ameaçam não sair do parlamento até serem recebidos pelo Governo

A proposta vai ser discutida "até chegar um membro do Governo que responda" às preocupações dos taxistas, disse o líder

Os dirigentes das associações de táxis que se reuniram esta tarde com o presidente da comissão de Economia ameaçaram, no final do encontro, não abandonar os protestos junto ao parlamento até serem recebidos por um membro do Governo.

"Será essa a proposta [não abandonar o protesto] que vamos discutir com os nossos colegas até chegar um membro do Governo que responda às nossas preocupações", disse Carlos Ramos, da FPT - Federação Portuguesa do Táxi, que falava aos jornalistas no interior do parlamento depois de ter sido recebido por Hélder Amaral, deputado do CDS-PP que preside à comissão parlamentar de Economia.

Em causa está o protesto do setor do táxi contra a plataforma Uber, e no encontro esteve também a vice-presidente da comissão Hortense Martins, do PS, e a chefe de gabinete do Presidente da Assembleia da República, Maria José Ribeiro.

Pela ANTRAL - Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários, Florêncio Almeida definiu como "inaceitável" a manutenção da Uber, visto a empresa estar, advoga, "proibida pelos tribunais de funcionar em Portugal".

"Da nossa parte não aceitamos que isto possa continuar", prosseguiu o responsável.

A marcha lenta de taxistas chegou hoje ao parlamento pelas 13:45, encabeçada pelos dirigentes das duas associações de táxis que convocaram a contestação.

Em Lisboa, os taxistas em protesto contra a empresa de serviço de transporte privado Uber partiram às 09:30, em marcha lenta, do Campus de Justiça, no Parque das Nações, em direção ao aeroporto de Lisboa.

A marcha lenta, com destino à Assembleia da República, passou pelo aeroporto, Rotunda do Relógio, Avenida Almirante Gago Coutinho, Avenida Estados Unidos da América, Entrecampos, Avenida da República, Avenida Fontes Pereira de Melo, Avenida da Liberdade, Rossio, Rua do Ouro, Câmara de Lisboa e Avenida 24 de Julho.

Esta iniciativa é o culminar de uma semana de luta destas duas associações para pressionar o Governo a suspender a atividade da Uber.

O serviço de transporte Uber permite chamar um carro descaracterizado com motorista privado através de uma plataforma informática, que existe em mais de 300 cidades de cerca de 60 países.

O protesto de taxistas decorreu também no Porto e em Faro.

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