Tabaco mata mais de 32 pessoas por dia

É a primeira causa de morte em Portugal em ambos os sexos, embora no geral o número de fumadores esteja em queda

Em 2013, o consumo de tabaco matou mais de 32 pessoas por dia, tendo sido a primeira causa de morte em Portugal. No geral, o número de fumadores diminuiu ligeiramente entre 2005/06 e 2014, mas há mais mulheres a consumir diariamente.

Os dados fazem parte do relatório "Portugal - Prevenção e Controlo do Tabagismo em Números 2015", apresentado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Uma em cada cinco mortes ocorridas em pessoas com idades entre os 45 e os 64 anos são atribuíveis ao tabaco. As estimativas do Institute for Health Metrics and Evaluation, citadas no relatório da DGS, apontam para mais de 12 mil óbitos (11% do total) em Portugal devido ao tabaco, incluindo a exposição passiva ao fumo. Mais de metade das mortes foram em consequência de cancro (21%) e doenças respiratórias (31%).

Apesar das restrições ao fumo em sítios públicos, o relatório aponta ainda para a estimativa de 400 mortes por exposição ao fumo ambiental, em 2013, embora refira que este tipo de mortalidade "registou uma descida assinalável nos últimos anos". Em 2014, 8,6% da população com mais de 15 encontrava-se exposta diariamente ao fumo ambiental do tabaco, principalmente nos espaços de lazer (38,3%), em casa (31%) e no local de trabalho (20,5%).

O consumo global de tabaco também está em queda, tendo passado de 20,9% em 2005/06 para 20% em 2014. Para deixar de fumar, apenas 3,6% recorreram a apoio médico ou a medicamentos. A percentagem de ex-fumadores aumentou quase seis pontos percentuais (de 16,1% para 21,7%), enquanto a prevalência de consumidores diários baixou quase dois pontos (de 18,7% para 16,8%). Mas se os homens estão a diminuir o consumo (de 27,5% para 23,5%), as mulheres estão a aumentar, ainda que ligeiramente (de 10,6% para 10,9%).

Outro dado menos positivo, adianta o relatório, é um aumento da experimentação. "A percentagem de pessoas que nunca fumaram diminuiu quase 5 pontos percentuais, de 62,9%, em 2005/2006, para 58,2% em 2014."

O número de locais de consulta para apoio à cessação tabágica aumentou 10% entre 2013 e 2014, invertendo a tendência que se registava nos últimos anos.

Relativamente ao número de consultas realizadas para deixar de fumar, tem aumentado desde 2010, "com um crescimento assinalável em 2014".

De acordo com o documento, o número de consultas subiu de 19.620 em 2010 para 22.358 em 2013, tendo depois dado um salto em 2014, para 26.008.

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