Stress dos animais leva Rio a fechar zoo

Instituto ambiental acusa o parque de manter animais em espaços exíguos, estruturas enferrujadas e expostos ao vício. "Viveirão", onde ficam os pássaros, e "Corredor da Fauna" são os maiores problemas

Quem quis visitar nesta sexta-feira o zoológico do Rio de Janeiro, uma das atrações da cidade brasileira, deu de caras com portões fechados e avisos nas paredes: o Ibama, instituto público que tutela o meio ambiente, decidiu punir a prefeitura carioca na véspera, encerrar o recinto sem previsão de reabertura e multar em 1000 reais diários (cerca de 250 euros) a Fundação RioZoo, responsável pelo parque. O stress dos animais é um dos fatores apontados.

"Os animais estão a desenvolver vícios de estereótipo ligados ao stress, o papel do recinto é minimizar esse problema e dar ao animal as condições mais próximas de conforto", disse ao jornal O Globo a bióloga do Ibama Valéria Pennafirme.

Os animais estão a desenvolver vícios de estereótipo ligados ao stress

Em causa, entre outros motivos, a falta de pontos de fuga de parte dos 3000 animais do parque: ou seja, os leões, por exemplo, estão sob permanente observação do público, sem se poderem recolher para um refúgio. Depois, as jaulas e os viveiros são considerados pequenos e em desrespeito às normas, enquanto as áreas do setor de reprodução, responsáveis pela perpetuação de espécies raras, está fechado desde 2012. Finalmente, há estruturas partidas e enferrujadas. Em resumo, para o Ibama, o zoológico do Rio de Janeiro não cumpre a função de educação ambiental que lhe compete.

"Na situação em que se encontra, o zoológico do Rio não cumpre o seu papel de educação ambiental, não promove o ensinamento de respeito aos animais, importante valor social a ser passado às futuras gerações, e a visita ao parque não é mais uma experiência positiva para as crianças ou população em geral", disse o chefe do núcleo de fiscalização do Ibama no Rio, Vinícius Modesto de Oliveira.

Os principais problemas detetados são no "Viveirão", local onde estão expostas aves, entre as quais espécies em vias de extinção, como as araras Lear e as ararajubas, uma das principais atrações do parque, e no "Corredor da Fauna".

Já em outubro passado, o Ibama multara o zoológico em um milhão de reais (cerca de 250 mil euros) e desde 2012 vem notificando a instituição. A prefeitura carioca equaciona privatizar o local.

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