Arquiteto português Eduardo Souto de Moura
Arquiteto português Eduardo Souto de MouraDiana Quintela / Global Imagens

Souto de Moura distinguido com medalha de ouro de União Internacional dos Arquitetos

Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos é classificada pela própria organização como “a mais prestigiante distinção atribuída a um arquiteto por arquitetos".
Publicado a
Atualizado a

O arquiteto português Eduardo Souto de Moura vai receber a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA), tornando-se no segundo português com esta distinção, anunciou esta terça-feira, 28 de abril, a Ordem dos Arquitetos.

Em comunicado, a Ordem dos Arquitetos – que submeteu a candidatura do arquiteto do Porto - realçou que se trata da “mais alta honra mundial atribuída a um arquiteto em vida”, o que “representa um marco histórico para a obra de Eduardo Souto Moura, para Portugal e para a Arquitetura Portuguesa”.

Criada em 1984 pela UIA, de caráter trienal, é classificada pela própria organização como “a mais prestigiante distinção atribuída a um arquiteto por arquitetos, escolhida a partir de nomeações submetidas por instituições profissionais de todo o mundo”.

No passado, já foi atribuída a nomes como o egípcio Hassan Fathy (1985), o indiano de origem goesa Charles Correa (1990), o espanhol Rafael Moneo (1996), o italiano Renzo Piano (2002), o português Álvaro Siza Vieira (2011) e o brasileiro Paulo Mendes da Rocha (2021).

De acordo com a UIA, o júri que escolheu a Medalha de Ouro deste ano foi composto pela presidente da união, Regina Gonthier, pelo arquiteto anglo-ganês David Adjaye e pela arquiteta chinesa Lu Wenyu.

Citado em comunicado, o presidente da Ordem dos Arquitetos, Avelino Oliveira, afirmou que “Souto Moura é autor de uma obra maior, disruptiva e intemporal”, tratando-se esta medalha do “culminar de um percurso pessoal e profissional de ampla produção arquitetónica e que faz de Portugal um dos lugares incontornáveis da arquitetura contemporânea”.

“Para a Ordem, este é um momento de projeção internacional que reforça a imagem de Portugal como referência mundial na arquitetura dos nossos dias. Para a arquitetura portuguesa, trata-se da confirmação de uma escola sólida, reconhecida e admirada globalmente”, pode ler-se no mesmo comunicado.

Segundo a Ordem dos Arquitetos, a entrega da Medalha de Ouro vai ocorrer no dia 30 de junho, na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, no âmbito do Congresso Mundial de Arquitetos.

No dia 1 de julho, também em Barcelona, a Casa da Arquitetura e a Ordem dos Arquitetos vão organizar uma conversa que vai juntar Souto de Moura e os arquitetos Manuel Aires Mateus e Inês Lobo.

A carreira de Eduardo Souto de Moura, nascido no Porto em 1952, soma mais de uma dezena de prémios, como o Leão de Ouro da Bienal de Veneza, atribuído em 2018, e o Pritzker, o "Nobel da arquitetura", em 2011, pelo conjunto da obra.

Entre outras distinções, recebeu o Prémio da X Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo, em 2016, o Prémio Wolf de Artes, de Israel, em 2013, o Prémio Pessoa, em 1998, e o Prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte - Portugal, em 1996.

Nos Estados Unidos, a sua carreira foi reconhecida pela Academia Americana de Artes e Letras, com o Prémio Arnold W. Brunner 2019.

A Casa das Histórias Paula Rego (Cascais), o Estádio Municipal de Braga, a Torre Burgo (Porto), o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (Bragança), a remodelação do Museu Nacional Grão Vasco (Viseu) e os interiores dos Armazéns do Chiado (Lisboa) contam-se entre os seus projetos, assim como o pavilhão da Serpentine Gallery, em Londres, feito em parceria com Álvaro Siza, com quem iniciou a carreira, em 1981.

Diário de Notícias
www.dn.pt