Sony aposta no regresso do vinil. Panasonic na nova geração de Blu-ray

Em Las Vegas apresenta-se produtos e visões de futuro, num evento dominado por carros, wearables e inteligência artificial

A feira de eletrónica de consumo CES está a mostrar como velhas e novas tecnologias podem coexistir num mercado em que as fronteiras estão a dissipar-se. Na edição 2016, que decorre até sábado em Las Vegas, a Sony lançou um gira-discos portátil para desempoeirar os discos de vinil, no mesmo dia em que a Panasonic revelou a nova geração de Blu-ray, denominada Freeze-ray. E a Intel mostrou como pretende revolucionar o desporto.

O vinil está de volta

"O regresso do vinil está a acontecer com todas as gerações", disse o presidente da Sony Electronics, Mike Fasulo, na conferência de imprensa da tecnológica. Foi assim que o executivo introduziu o novo gira-discos PS-HX500, que estará nas lojas no segundo trimestre. É um lançamento virado para os audiófilos e os consumidores que querem recuperar a qualidade de som perdida com a compressão de música em CD e formatos distribuídos na internet, como o MP3.

A tendência vem do ano passado, com o surgimento de serviços de streaming com som em alta resolução (caso do Tidal), mas o facto é que as vendas de discos de vinil estão em máximos de 26 anos nos EUA e a subir em todo o mundo. Fasulo explicou que o gira-discos pode ser ligado ao portátil, que depois descodifica o som no formato proprietário da Sony ou em WAV, ou a colunas de som. Um pormenor: o PS-HX500 tem tecnologia antivibração, que evita que o disco salte ou fique riscado pela agulha.

A nova geração de Blu-ray

É da Panasonic e chama-se Freeze-ray, desenvolvida em coordenação com o Facebook. A rede social é a primeira a usar os novos discos óticos, virados para os dados em armazenamento profundo - que são acedidos com muito pouca frequência. Vantagens? Baixo consumo energético, resistência a mudanças ambientais e imutabilidade, com poupanças ao nível de custos. A ideia, segundo disse o presidente da unidade AVC Networks da Panasonic, Yasuji Enokido, é que os utilizadores do Facebook possam aceder dentro de vários anos "às fotos que publicaram ontem". O executivo disse que a Panasonic irá tornar a tecnologia num standard da indústria, que outras empresas poderão comprar.

Wearables e inteligência artificial

Uma das apresentações mais concorridas foi a do CEO da Intel, Brian Kzarnich. Houve drones a voar na sala numa demo do novo Yuneec Typhoon H, que evita obstáculos com a tecnologia de câmaras e sensores inteligentes Real Sense e vai custar menos de dois mil euros. Houve música gerada com gestos no ar pelo músico indiano Ar Rahman, conhecido pela banda sonora do filme Quem Quer Ser Bilionário?, através de umas bandas wireless que se colocam nos dedos.

Mas o maior foco foi o desporto: a Intel está a testar a solução Replays 3D, que permite aos consumidores controlarem a repetição de imagens em transmissões de jogos. "Você poderá ver o jogo do ângulo que quiser", disse Kzarnich, "deixando de estar limitado" ao que o realizador escolhe mostrar. Os testes são com o basquetebol, mas a Intel pretende expandir para outros desportos, incluindo futebol.

Kzarnich revelou ainda que a empresa vai lançar óculos inteligentes em parceria com a Luxottica na segunda metade do ano. Os Oakley Radar Pace são o oposto dos Google Glass: estilizados, apropriados para desportistas e que interagem por voz em vez de requererem toques nas hastes. O tricampeão Ironman Craig Alexander esteve em palco para mostrar como a inteligência artificial por detrás dos óculos o ajuda a treinar, analisando o seu desempenho, concebendo esquemas de treino e ajudando durante a performance. "É uma revolução no desporto", disse o CEO, sobre as várias tecnologias que a Intel está a aplicar à área, com o processador Curie e a tecnologia Real Sense. E houve tempo para mostrar um robô Segway e um capacete de proteção inteligente para trabalhadores em áreas onde o uso é obrigatório.

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