O antigo primeiro-ministro José Sócrates apresentou um pedido de recusa do juiz Carlos Alexandre no âmbito do caso EDP, após o Ministério Público (MP) ter pedido ao magistrado que revogue a Sócrates o estatuto de assistente no processo..O pedido foi submetido pela defesa do ex-primeiro-ministro e confirmado à Lusa por Pedro Delille, advogado de José Sócrates.."O pedido do MP estava formulado ao senhor juiz Carlos Alexandre e nós pedimos a recusa do juiz. Tem notórias incompatibilidades com José Sócrates", disse à Lusa Pedro Delille..Em causa está o pedido do MP para a revogação do estatuto de assistente de José Sócrates no processo EDP - que envolve Manuel Pinho, antigo ministro da Economia do seu Governo - dirigido ao juiz de instrução Carlos Alexandre no final de novembro, tendo por base um relatório de comunicações entre o ex-primeiro-ministro e o seu ex-ministro..Em requerimento submetido ao juiz de instrução criminal Carlos Alexandre, o MP alegou que, perante as informações obtidas a partir do telemóvel apreendido a Manuel Pinho em buscas à residência em Braga onde está em prisão domiciliária, foi possível apurar a existência de 115 comunicações na rede social whatsapp (com anexos, mensagens escritas e de voz) trocadas entre arguido e assistente neste processo entre 16 de março e 03 de novembro deste ano..O MP recordou a sua oposição a que José Sócrates fosse assistente no caso EDP e defendeu que "não é processualmente compreensível qual o tipo de colaboração com o MP (...) que este poderá ter, quais as provas que poderá oferecer ou requerer, considerando o seu comportamento durante o período em que teve esse estatuto"..A justificar ainda o pedido de revogação do estatuto de assistente a Sócrates, o MP lembra que a única diligência do ex-primeiro-ministro neste processo foi pedir à Procuradoria-Geral da República o afastamento dos procuradores e uma investigação por alegada violação do segredo de justiça, além da consulta do inquérito "para partilhar a informação recolhida e ajudar na defesa do amigo Manuel Pinho"..O requerimento para a recusa do juiz foi apresentado depois de ser conhecida esta pretensão do MP e dentro dos prazos processuais legais, confirmou hoje à Lusa Pedro Delille.."Carlos Alexandre é arguido num processo com o engenheiro [José Sócrates] e isso é suficiente para motivar suspeitas fundadas da imparcialidade", justificou Delille..O advogado acrescentou ainda desconhecer se já existe decisão do juiz de instrução em relação ao requerimento do MP para que Sócrates deixe de ser assistente..O caso EDP está relacionado com os Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) no qual os antigos gestores António Mexia e Manso Neto são suspeitos de corrupção e participação económica em negócio para a manutenção do contrato das rendas excessivas, no qual, segundo o MP, terão corrompido o ex-ministro da Economia Manuel Pinho e o ex-secretário de Estado da Energia Artur Trindade..Manuel Pinho foi constituído arguido no verão de 2017, por suspeitas de corrupção e branqueamento de capitais, num processo relacionado com dinheiros provenientes do Grupo Espírito Santo. No processo EDP/CMEC, o MP imputa aos antigos administradores António Mexia e Manso Neto, em coautoria, quatro crimes de corrupção ativa e um crime de participação económica em negócio..O processo tem ainda como arguidos João Conceição, administrador da REN e antigo consultor de Manuel Pinho, e Artur Trindade, ex-secretário de Estado da Energia de um governo PSD.