O sistema público de distribuição de água no concelho de Almada entrou em rutura crítica devido a um pico de consumo sem precedentes, registado nas últimas 48 horas. A situação afetou de forma severa a Costa da Caparica, onde se registaram falhas no abastecimento que chegaram mesmo a superar as 12 horas consecutivas, estendendo-se também com gravidade às zonas da Charneca da Caparica, Feijó e Laranjeiro.Segundo as autoridades locais, o colapso da rede foi provocado por uma "tempestade perfeita" de fatores: a ocorrência de temperaturas máximas extremas aliada ao arranque da época balnear, o que gerou uma afluência turística em massa e fez disparar a procura de água para níveis muito acima da capacidade física de captação e armazenamento dos reservatórios do concelho.Racionamento rotativo como medida de contingênciaPara tentar mitigar o impacto e evitar o esvaziamento total do sistema, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada ativaram um plano de contingência urgente, explicam os mesmos nos seus meios oficiais. A medida assenta num modelo de gestão solidária da rede e racionamento rotativo, através do qual o abastecimento é temporariamente cortado ou condicionado em determinadas zonas para permitir a recuperação dos níveis de pressão e a distribuição equilibrada do recurso pelas restantes áreas afetadas.Os SMAS apelam ainda à população para que reduza o consumo ao estritamente essencial, suspendendo lavagens de quintais, carros ou regas de jardins, de forma a acelerar a estabilização do sistema.Comércio afetado e protesto nas redes sociaisO impacto económico desta crise hídrica já se faz sentir no tecido empresarial local, em particular no setor da restauração e hotelaria da Costa da Caparica. Vários estabelecimentos comerciais viram-se obrigados a encerrar as portas a meio do dia ou a recusar a prestação de serviços básicos — como tirar cafés ou servir refeições — por manifesta falta de pressão na rede e incapacidade de assegurar os requisitos mínimos de higiene e segurança alimentar.Em resposta à gravidade da situação e à alegada falta de avisos prévios por parte das entidades responsáveis, multiplicam-se nas redes sociais os protestos de residentes contra a situação, acusando a autarquia de não preparar as infraestruturas para situações severas e de falta de uma comunicação mais transparente e eficaz tanto por parte da Câmara Municipal de Almada como dos SMAS em situações de crise.