As tampas de substituição colocadas nos candeeiros de iluminação pública de Lisboa não garantem, em muitos casos, a mesma estanquidade que as peças originais, deixando os equipamentos potencialmente vulneráveis à entrada de água e à passagem de corrente elétrica. O alerta foi deixado por Manuel Abílio, responsável da Direção Municipal de Manutenção e Conservação da Câmara Municipal de Lisboa (CML), durante a reunião do executivo camarário realizada na quarta-feira, 28 de janeiro. As declarações do arquiteto surgiram em resposta a um pedido de esclarecimentos apresentado pela vereadora socialista Carla Madeira, no âmbito do debate sobre a segurança da iluminação pública, iniciado após o acidente ocorrido em novembro passado, no Parque das Nações, que resultou na morte de um cão por eletrocussão. “Estão a roubar muito frequentemente as tampas das portinholas dos candeeiros metálicos, especialmente os históricos. Nós andamos a substituí-las, mas muitas vezes as tampas que colocamos não têm a mesma capacidade de estanquidade em relação aos candeeiros”, afirmou Manuel Abílio. Segundo o responsável municipal, esta limitação técnica tem dado origem a situações de risco que, embora até ao momento não tenham tido consequências mais graves, “são sempre muito complicadas”. A intervenção ocorreu na ausência da vereadora com o pelouro da área, Joana Baptista, e incluiu a explicação detalhada do acidente registado em novembro, no Parque das Nações, que vitimou um cão. De acordo com Manuel Abílio, o candeeiro envolvido no incidente tinha cerca de 27 anos e foi afetado pela tempestade que, nos dias anteriores e no próprio dia, assolou a capital. “A tampa superior saltou, a campânula ficou como um aquário, a água entrou dentro da parte elétrica, o fusível não rebentou e a corrente passou para o solo”, descreveu. O arquiteto acrescentou ainda que todo o material relacionado com este acidente está guardado e disponível para a investigação que decorre no Ministério Público. Recorde-se que, na sequência de requerimentos apresentados pelo Partido Socialista e pelo PCP, Joana Baptista justificara anteriormente o acidente que provocou a morte por eletrocussão do um animal de companhia, ocorrido a 15 de novembro no Parque das Nações, com as condições meteorológicas extremas associadas à depressão “Cláudia”.Perante a confirmação de que situações semelhantes podem ter consequências fatais, o DN questionou ao fim da tarde a Câmara Municipal de Lisboa para saber se, com a aproximação das depressões Ingrid, Joseph e Kristin, foram acionadas medidas preventivas adicionais destinadas a salvaguardar a segurança de pessoas e animais. Até à conclusão deste texto, não foi possível obter uma resposta da edilidade. 770 mil euros para inspeções No mesmo esclarecimento prestado ao executivo, Manuel Abílio fez o ponto de situação relativamente ao plano de inspeções, já anunciado pela CML, a cerca de 66 mil candeeiros de iluminação pública em toda a cidade. Segundo indicou, o processo deverá ter início “em finais de março, princípio de abril”, sendo “expectável” que os equipamentos mais antigos — cerca de 26 mil — sejam vistoriados ao longo do ano. Um plano para o qual a CML orçamentou já cerca de 770 mil euros. A cidade será dividida em quatro zonas e, em cada uma delas, a prioridade vai para os candeeiros com maior antiguidade. “Há em Lisboa cerca de vinte e tal mil candeeiros com 30 ou mais anos, seguindo-se depois os de 20, os de 10 e, por último, os mais recentes”, explicou o responsável da Direção Municipal de Manutenção e Conservação. Os níveis de exigência das vistorias irão variar consoante a idade dos equipamentos. A entidade externa responsável pela avaliação terá como prioridade a identificação imediata de qualquer candeeiro em situação irregular, permitindo uma intervenção célere por parte dos serviços municipais, com o objetivo de minimizar riscos para a população e para os animais, garantiu o responsável.