Resolver um problema de matemática = 450 mil euros

O teorema tinha 300 anos quando o professor Andrew Wiles o resolveu em 1994. Foi reconhecido esta semana e vai receber um prémio na Noruega.

"Nunca esquecemos o momento em que temos estas conquistas: é para o que vive", disse o professor Andrew Wiles numa das entrevistas que tem dado à imprensa britânica nos últimos dias, a propósito do prémio que vai receber por ter resolvido um problema matemático com 350 anos.

É preciso recuar a 1637 para encontrar a primeira referência ao enigma matemático, formulado pelo matemático francês Pierre de Fermat, cujo apelido acabaria por batizar o teorema. Andrew Wiles, agora com 62 anos, tomou conhecimento da sua existência quando tinha 10 anos. Viu uma cópia na biblioteca de Cambridge, em Inglaterra, onde cresceu. "Soube nesse momento que não poderia largar", disse, citado pela CNN.

E o que dizia o Último Teorema de Fermat? "Nâo há soluções de números inteiros para a equação xn + yn = zn quando é maior do que 2".

Trabalhou nela durantes 10 anos enquanto estava na Universidade de Princeton e demonstrou-o finalmente em 1994.

A solução passou pela combinação de três campos matemáticos: formas modulares, curvas elípticas e representações de Galois.

Wiles está longe de ter sido o primeiro matemático a estudar o caso, mas foi o único, em 1994, a encontrar solução. Esta semana, reconhecendo esse trabalho, recebeu o prémio Abel no valor de 450 mil euros, considerado o Nobel da Matemática e atribuído pela Academia norueguesa das Ciências e Letras.

O reconhecimento veio com um elogio da Academia norueguesa: "Wiles é um dos poucos matemáticos -- talvez o único -- cuja prova de um teorema foi título de notícias internacionais". Wiles receberá a distinção em maio, do príncipe da Noruega.

"Fui muito afortunado não só por resolver o problema, mas por abrir a porta a uma nova era no meu campo", disse Andrew Wiles, atualmente professor de Matemática em Oxford.

"É uma honra tremenda receber o prémio Abel e juntar-me aos outros laureados, que fizeram tão grandes contribuições para o campo. A equação de Fermat foi a minha paixão desde muito cedo, e resolvê-la deu-me uma sensação de dever cumprido."

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