Registados 2.515 sismos nos Açores em 2016

A atividade sísmica esteve dentro dos limites da normalidade

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) registou 2.515 sismos nos Açores em 2016, dos quais apenas 17 foram sentidos pela população, num ano em que a atividade sísmica esteve dentro da normalidade, informou hoje aquela entidade.

"Dados provisórios apontam para o registo de 2.515 sismos durante o [ano passado], dos quais 2.251 foram sismos locais", disse hoje à agência Lusa Maria Anderson, técnica na área da sismologia da delegação regional dos Açores do IPMA, explicando que 17 dos sismos (de origem local e regional) foram sentidos.

Um sismo local é registado a menos de 100 quilómetros da estação mais próxima, um sismo regional localiza-se entre 100 e 1.000 quilómetros da estação mais próxima e um sismo distante a mais de 1.000 quilómetros.

Maria Anderson adiantou que "o mês com maior número de eventos foi agosto, com 534 sismos, dos quais 512 foram locais, sendo registados apenas três como sentidos".

Os números indicam que "a atividade sísmica registada em 2016 na Região Autónoma dos Açores esteve dentro dos limites da normalidade", salienta o IPMA.

Nos Açores, a última crise sísmica, que corresponde a um período de tempo (meses) durante o qual se regista uma elevada frequência de eventos com incidência particular numa região, remonta a abril de 2007.

Maria Anderson referiu que naquela data ocorreu "um grande número de sismos com incidência particular a oeste" da ilha do Faial.

"Durante esse mês foram registados 2.081 sismos, dos quais 2.042 foram na região e 30 destes eventos foram sentidos", informou a técnica.

A responsável acrescentou que "a vigilância sísmica do IPMA resulta de um esforço de várias entidades, entre as quais o Instituto Superior Técnico e organizações internacionais responsáveis pelo controlo da sismicidade a nível mundial", devido "à localização estratégica dos Açores no estudo do Atlântico Norte, e que tem permitido integrar no IPMA a informação em tempo quase real de 42 estações sísmicas".

"Esta atividade de cariz operacional é feita com base nos registos obtidos em estações sísmicas, digitais e acelerométricas, distribuídas geograficamente por todas as ilhas do arquipélago que registam todo o tipo de eventos sísmicos, desde o microssismo até aos movimentos associados aos sismos próximos e aos sismos ocorridos noutras partes do globo, quando de maior magnitude", esclareceu Maria Anderson.

Na terça-feira, um sismo de magnitude 7,2 na escala de Richter, ao largo das ilhas Fiji, foi registado nas estações sísmicas dos Açores.

"Com base nesses registos tem vindo a ser adquirida uma base de dados da qual constam as características dos eventos registados, nomeadamente data, hora, localização epicentral, magnitude, profundidade e respetivas estações que registam cada evento", disse a técnica, destacando que "estes dados são essenciais, não só porque permitem a atuação rápida das autoridades de Proteção Civil, como também são essenciais para diversos estudos, nomeadamente para a caracterização da perigosidade sísmica".

A ilha que tem maior número de estações sísmicas é São Miguel, a maior do arquipélago, situada no grupo oriental.

A delegação regional dos Açores do IPMA faz vigilância sismológica em permanência, contando nos Açores com três observatórios, nas ilhas de São Miguel, Faial e Terceira.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.