Mais de 30 instituições do Norte e da área da saúde, entre institutos de investigação, centros académicos clínicos, unidades hospitalares, empresas e autoridades regionais, reúnem-se na próxima terça-feira, em Braga, para definir estratégias e prioridades de financiamento.A sessão servirá para lançar a Plataforma Regional de Especialização Inteligente (PREI) na área das Ciências da Vida e da Saúde, denominada Bridges4Health (pontes para a saúde, em português livre), um projeto coordenado pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) e pelo Centro Clínico Académico de Braga (2CA-Braga).Em declarações à agência Lusa, o diretor do i3S, Claudio Sunkel, adiantou que da iniciativa espera que saiam contributos para “apoiar a CCDR-N [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte] no processo de descoberta empreendedora na área das ciências da vida e da saúde”.“Esta é uma plataforma regional de especialização inteligente. Foi uma fórmula que a CCDR-N encontrou em várias áreas – porque esta não é a única, há a do mar, a das engenharias, etc. – de envolver os atores regionais na definição das políticas que quer implementar para o financiamento dos próximos anos”, descreveu Claudio Sunkel.Cofinanciado pela União Europeia através do Programa Regional Norte 2030 e do Portugal 2030, o projeto Bridges4Health será levado a cabo pelo i3S e pelo 2CA-Braga em colaboração com a Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas (UCIBIO) da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e o Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Universidade Católica do Porto.Numa nota de imprensa enviada à Lusa, os responsáveis descrevem a sessão marcada para terça-feira no Espaço Vita, em Braga, como “um momento mobilizador de todo o ecossistema que irá determinar o rumo da inovação, do investimento e da competitividade da região Norte nas próximas décadas”.Para o presidente do 2CA-Braga, Jorge Pedrosa, citado na nota de imprensa, é ambição deste projeto “estimular o empreendedorismo, a transição industrial e a cooperação internacional com o intuito de posicionar a região Norte como um polo de excelência e referência em ciências da vida e da saúde a nível nacional e europeu”.“A região Norte de Portugal tem uma concentração na área da saúde muito significativa. Tem vários centros de investigação ligados à saúde, muitas falculdades desta área (…). E a própria Comunidade Europeia faz essa recomendação: tornar os atores regionais mais envolvidos na definição política, na abertura de concursos, na abertura de áreas que eles querem financiar para desenvolver e, sobretudo, para consolidar a capacidade de envolvimento económico da região”, acrescentou Claudio Sunkel.Reforçando a ideia de que o Bridges4Health quer abranger o máximo de instituições do Norte e da área da saúde, entre institutos de investigação, centros académicos clínicos, unidades hospitalares, empresas e autoridades regionais, o diretor do i3S referiu que nesta fase o foco está em “convencer a maior parte dos atores a participar forma a criar quatro grupos de trabalho que comecem já a ter alguma ideia de quais são as áreas que querem desenvolver”.“Nós gostaríamos que no prazo, diria eu, antes do verão, ter um conjunto de projetos âncora para desenvolver porque o financiamento vai até 2030, portanto tem que haver envolvimento já do financiamento muito em breve”, sublinhou.À Lusa, Claudio Sunkel reforçou que “a investigação científica tem vindo a desenvolver e tem sido muito apoiada pela CCDRN, podendo dar agora um passo no sentido de envolver atores mais económicos e que tenham algum efeito na competitividade da região”.Na descrição do projeto lê-se ainda que o Bridges4Health vai alicerçar-se no potencial científico e tecnológico instalado, na dinâmica do tecido industrial e nas unidades de saúde de referência da região Norte, e trabalhar em quatro domínios estratégicos: Medicina de Precisão, Investigação Clínica, Dispositivos e Tecnologias Biomédicas e Microbioma e Saúde.“O objetivo é construir pontes mais sólidas entre parceiros, em torno destes quatro domínios, e desenhar projetos conjuntos que acelerem a valorização do conhecimento e transformem descobertas em produtos, serviços e soluções capazes de responder aos desafios atuais”, acrescenta.