Portugal dispõe de rastreios de base populacional aos cancros da mama, do colo do útero e do cólon e reto, chegando mesmo, nalguns casos, a abranger já 90% da população-alvo, como determina a Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro para 2030, em consonância com a estratégia da União Europeia. E a análise feita aos dados de 2024 permite concluir que, nesta área, também tem havido "evolução", embora "lenta", mas neste ano em particular registaram-se "pontos fortes", como destaca ao DN a coordenadora do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO), Isabel Fernandes. De acordo com o relatório, divulgado nesta quarta-feira, dia 4, para assinalar o Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, Portugal é dos países que, no caso do cancro da mama, já conseguiu atingir 90% da população-alvo. “Em 2024, o Rastreio do Cancro da Mama (RCM) , registou uma taxa de cobertura populacional superior a 90%, com 877. 377 mulheres a serem convidadas para o realizar”, lê-se no documento. Em relação ao Rastreio do Cancro do Colo do Útero (RCCU), também é destacado que, no mesmo ano, se atingiu "o maior número de sempre de mulheres convidadas (365.978; 61% do total da população-alvo) e foram rastreadas (344.405; 94% das convidadas a fazer o rastreio).No entanto, tanto a cobertura populacional do RCCU (61%) como do Rastreio do Cancro do Cólon e Reto (RCCR, que é de 32,5%) se mantém abaixo da meta de 90% prevista para 2030. Neste último caso, em 2024, foram convidados 543.332 utentes a fazer o rastreio, dos quais 268.710 foram rastreados, uma adesão de 50%.Rastreios Cancro da Mama: 4,7% das rastreadas tiveram resultados positivosÉ sabido que os rastreios oncológicos têm impacto no diagnóstico precoce bem como na sobrevivência dos doentes. E, de acordo com os resultados divulgados no relatório da DGS, do total de mulheres rastreadas ao cancro da mama, “4,7% (n=20.750) tiveram resultado positivo na mamografia; 0,6% (n= 2797) foram referenciadas para cuidados hospitalares”. O relatório refere que “a cobertura populacional em 2024 subiu 2 pontos percentuais (61%) face a 2023 (59%), mas ainda abaixo do valor de 2022, de 64%”. Sendo que foi o rastreio que mais evoluiu nos últimos anos.Em relação ao RCCU, também implementado em 100% das unidades de cuidados de saúde primários no continente e regiões autónomas dos Açores e da Madeira, do total de mulheres rastreadas, 12,8% (n=43.968) tiveram resultado positivo no teste de HPV e 5,9% (n=20.363) foram referenciadas para cuidados hospitalares de diagnóstico / tratamento / acompanhamento.Sobre o RCCR, que está implementado em todas as regiões de saúde, mas em 89% no território nacional, 32,5% da população elegível foi convidada a realizar o rastreio, 268.710 utentes (247.292 no continente, 10.166 na RAA e 11.252 na RAM), o que correspondeu a uma taxa de adesão de 49,5%. E dos que foram rastreados, 14.004 tiveram teste PSOF Positivo; 4.094 efetuaram colonoscopia; 2.230 com lesões positivas identificadas por colonoscopia; 0,8% (n=531) foram referenciados ao hospital para diagnóstico/tratamento/seguimento.O relatório destaca que as “taxas de cobertura populacional do RCCU e o RCCR ainda se encontram muito abaixo dos 90% previstos para 2030 na Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro e no Europe´s Beating Cancer Plan”, sendo “essencial melhorar os sistemas de informação que suportam as atividades de rastreio. A partilha de informação entre os sistemas de monitorização dos rastreios e o Registo Oncológico Nacional (RON) é essencial para uma visão completa de todo o processo. Os investimentos nesta área têm o potencial de promover uma auditoria sistemática e de maior proximidade a todo o processo, alavancar mudanças operacionais e aferir a real efetividade dos programas.”Por isto, no documento é sublinhada a importância da adesão da população à realização dos “rastreios oncológicos de base populacional”, já que estes, e como tem sido verificado, “têm um impacto significativo na redução da incidência da doença, no diagnóstico precoce e consequente aumento do tempo de vida sem doença e com menor morbilidade”, ao mesmo tempo que promovem “a redução do encargo social da doença oncológica e dos custos diretos relacionados com os cuidados de saúde necessários ao tratamento”. Tais programas de rastreio, pode ainda ler-se no documento, “constituem-se, igualmente, como oportunidades de intervenção no âmbito da educação para a saúde e de promoção da coesão social, pela garantia de equidade e universalidade dos cuidados prestados aos cidadãos”.Para o futuro, o relatório define como prioridades nesta área "a melhoria na cobertura e qualidade dos rastreios organizados de base populacional", de forma a que, nos próximos três anos, seja possível atingir em todos a meta de 90% de cobertura populacional. É ainda preciso "estabelecer linhas de financiamento específicas para os programas de rastreio oncológico de base populacional para as ULS no sentido de as incentivar a promover estes rastreios"; bem como "desenvolver programas de divulgação e informação à população no sentido de melhorar as taxas de adesão, específicos para cada programa de rastreio", devendo-se neste caso "flexibilizar/alargar os horários dos rastreios de forma a aumentar o acesso e a taxa de adesão".Nas metas a atingir, os três programas de rastreio aprovados em 2023, para os cancros do pulmão, próstata e estômago, não são esquecidos. "É preciso promover a implementação de programas-piloto para os novos rastreios oncológicos (rastreio do cancro do pulmão, rastreio do cancro gástrico, rastreio do cancro da próstata).".Cancro. Portugal reduz mortalidade e aumenta sobrevivência após cinco anos de diagnóstico .Relatório alerta: em 2035 podem haver 58% de novos casos de cancro