Quercus sugere ciclovia e carros elétricos e a gás com circulação facilitada

Associação ambientalista considera projeto para a 2.ª Circular globalmente "positivo". Período de consulta pública terminou ontem

A diferença de opiniões é quase clássica quando se fala de trânsito em Lisboa: se o Automóvel Club de Portugal (ACP) critica o projeto de remodelação da 2.ª Circular por, nos termos atuais, poder vir a "prejudicar severamente a mobilidade e a segurança das pessoas", a Quercus aplaude a iniciativa da câmara municipal (CML) por, devido aos seus benefícios ambientais, poder vir a "melhorar muito" a qualidade de vida de quem reside nas imediações da via que percorre a cidade de nascente a poente. E propõe, até, que a autarquia vá mais longe e aproveite a proposta para, pelo menos em alguns troços, instalar uma ciclovia e, simultaneamente, facilitar a circulação de carros elétricos, híbridos e a gás.

Estas associações são apenas duas das centenas de entidades autoras das participações que o município recebeu durante o período de consulta pública do projeto, que decorreu entre 23 de dezembro e as 23.59 de ontem. Até 15 deste mês, a data inicialmente anunciada para a sua conclusão, tinham já sido rececionadas cerca de 250 opiniões, um quinto das quais sobre o separador central arborizado com 3,5 metros que a autarquia pretende, para já, instalar na 2.ª Circular.

As restantes pronúncias, adiantou na segunda-feira o vereador do Urbanismo, mostravam a preocupação relativamente a um eventual maior congestionamento do trânsito (14%), contestavam a redução da velocidade máxima permitida de 80 km/h para 60 km/h (13%) e do número de vias (10%) - esta última já negada pelo executivo - e pediam a construção de pistas cicláveis (8%). Manuel Salgado (PS) revelou então que havia até uma a solicitar a instalação de um metro de superfície no seu eixo central.

Ao todo, são três os objetivos que a CML pretende atingir com esta intervenção: aumentar a segurança rodoviária, melhorar a fluidez do tráfego e incrementar a sustentabilidade ambiental da via rápida percorrida diariamente, em média, por 105 mil veículos. É precisamente a última componente que leva a Quercus a considerar que, "na generalidade", a intervenção é "positiva".

Para Paulo do Carmo, dirigente da associação ambientalista, as alterações propostas "vão melhorar muito" a qualidade de vida dos habitantes nas imediações da via. Em causa, está, nomeadamente, a repavimentação da 2.ª Circular em toda a sua extensão com um revestimento que permitirá diminuir o ruído provocado pela circulação dos carros e a plantação de árvores, uma questão que, reconhece ao DN, tem sido "muito polémica".

Embora admita que o município deve acautelar um eventual risco para aviação na proximidade do aeroporto - que a CML já negou existir -, o responsável frisa que a sua existência tem "um efeito minimizador" quer na poluição do ar, uma vez que absorve determinadas partículas nocivas, quer no elevado nível de ruído, por criar uma barreira.

A Quercus quer, ainda assim, ir mais longe, recomendando à autarquia, no parecer entregue ontem, que seja ponderada a instalação de uma ciclovia em pelo menos alguns troços da estrada e que aproveite a marcação da via da direita para entradas e saídas para facilitar a circulação de veículos elétricos, híbridos e a gás, considerados mais sustentáveis.

Orçado em 12 milhões de euros (com IVA), o projeto, que poderá ser alterado, deverá começar a sair do papel em junho. Quem quiser poderá ainda dar a sua opinião no debate sobre o tema que a assembleia municipal organiza segunda-feira no Hotel Roma. É às 18.00.

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