Apesar de entrarmos na última semana do verão, o tempo quente deverá continuar nos próximos dias, de acordo com o IPMA. E com as altas temperaturas e o tempo seco vem o risco de incêndio rural, algo que preocupa a Autoridade Nacional de Proteção Civil que colocou dezenas de concelhos em risco muito elevado de incêndio.Falando aos jornalistas, o adjunto de operações Carlos Mata referiu que esta previsão do IPMA deve-se prolongar até ao final da semana e frisou que vai haver “vento forte”, “noites bastante quentes e com fraca humidade” – um cocktail que dificulta o combate às chamas no terreno.Por este motivo, continuou o responsável da ANEPC é possível que se repitam incêndios como os que ocorreram no fim-de-semana em Arganil ou em Vila Nova de Poiares. Para prevenir, a autoridade mantém o nível três ou o estado de prontidão especial.Dentro deste estado, Carlos Mata explicou que há duas grandes medidas a ser tomadas dentro desta prevenção. Primeiro, contou, a Proteção Civil vai pré-posicionar 50 módulos em zonas com “histórico onde pode haver mais complicações em termos de extinção de incêndios”. Depois, a ANEPC vai coordenar uma “nova intervenção” a que Carlos Mata chamou de “vigilância aérea armada”. “Nas horas de maior incidência dos incêndios, [vamos] colocar várias parelhas em quatro zonas do país que tenham capacidade de extinção de incêndios -- uma parelha de aviões anfíbios”, revelou, contando que as “armas” são tanques de água ou retardante para intervir em situações que “observem” ou “sejam indicados”.Já sobre o que aconteceu nos incêndios do fim de semana, o responsável da proteção civil contou que as dificuldades se deveram a “muitas ignições”. No caso do incêndio de Tábua, o presidente de Câmara disse estranhar estas ignições, sendo que é algo já tinha acontecido na semana anterior.Questionado sobre alegações de fogo posto, Carlos Mata não quis comentar diretamente mas concordou com o autarca ao dizer que era “estranho”. “É estranho haver tantas ignições juntas”, acrescentou.Mobilização muda no fim de setembro. Mas tempo pode ser repensadoEsta prevenção especial anunciada está dentro da fase atual de "empenhamento operacional", como refere a ANEPC no seu plano do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para 2026.A fase atual, a Delta, é a de maior mobilização de meios e dura até ao próximo dia 30 de setembro. A seguir, segue-se a Charlie, com menos empenhamento de operacionais.Ao Diário de Notícias, o presidente da Liga dos Bombeiros, António Nunes, explicou que a quantidade de meios mobilizados faz parte deste plano publicado no início de janeiro.“É um dispositivo que está planeado no início do ano e dura até 31 de dezembro”, explicou. “Tem várias fases e em cada fase tem um conjunto de meios que estão alocados em permanência ao combate aos incêndios florestais”, continuou.Porém, explicou, os limites temporais destas fases não significam que uma eventual desmobilização.“Se o IPMA, em determinado momento, entender que é recomendável que haja um reforço ou uma manutenção dos meios que estão afetos ao combate aos incêndios florestais, a ANEPC, naturalmente, faz essa avaliação e pode fazer um reforço desses meios”, concretizou.E há um exemplo histórico relativamente recente, apontou. Como notou o presidente da Liga, em 2017, o centro de Portugal foi fustigado por incêndios rurais que duraram maioritariamente durante o mês de outubro (com a exceção do incêndio de Pedrógão Grande). Neste ano, 50 pessoas morreram devido às chamas e mais de 220 mil hectares de floresta arderam."Hoje não é possível ter as estações tão limitadas como havia. Primavera, verão, outono, inverno.", continuou, sublinhando "as alterações climáticas existentes".Em 2025, arderam 270 695 hectares de floresta, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente. Até ao dia 21 de setembro, arderam 72391 hectares."Não esquecer que nós tivemos duas semanas de Agosto em que choveu e isso permitiu algum descanso das forças e do material. O ano passado foi um ano mais complicado que este ano", .Até final de agosto, área ardida em Portugal cai 74% face ao ano passado.Dispositivo de combate a incêndios rurais reforçado quando área ardida é já o dobro face a 2025.Incêndios. Proteção Civil alerta para “potencial risco” em algumas regiões do país