Primeiros transplantes de pénis vão ajudar veteranos de guerra americanos

Só há uma ocasião registada em que uma operação deste género foi bem-sucedida

Os primeiros transplantes de pénis deverão chegar a doentes norte-americanos no próximo ano, conta este domingo o jornal The New York Times. As primeiras pessoas a receber estes transplantes, através de uma operação ainda considerada experimental, vão ser veteranos de guerra que tenham ficado feridos na área genital e tenham perdido o pénis ou os testículos.

Os ferimentos nesta zona do corpo são menos falados do que outros como amputações de pernas ou braços, mas são igualmente sérios, sublinha um dos médicos do hospital Johns Hopkins, Andrew Lee, ao The New York Times. "Acho que qualquer pessoa concordaria que é tão devastador, como tudo o que os nossos soldados feridos sofrem, para um jovem com 20 e poucos anos regressar a casa com a zona pélvica totalmente destruída", disse o médico ao The New York Times.

A operação de transplante de pénis é excecional - ainda só foi realizada uma vez com sucesso, na África do Sul. Agora, o renomado hospital Johns Hopkins, em Baltimore, deu luz verde a 60 transplantes do género, cujos resultados vão ser estudados para decidir se a operação pode passar a ser feita habitualmente ou se deve continuar a ser classificada como "experimental".

O artigo do The New York Times regista que entre 2001 e 2014, 1367 combatentes americanos no Iraque e no Afeganistão sofreram ferimentos na zona genital, a maioria devido a aparelhos explosivos improvisados.

O pénis provém de um dador morto, e a operação, quando é bem-sucedida, deverá possibilitar aos homens que recebam o órgão recuperar a maior parte das funções perdidas. Andrew Lee disse mesmo que considera "realista" que homens que recebam o transplante de pénis, e tenham ainda os seus próprios testículos, possam ter filhos biológicos.

Embora a cirurgia não seja essencial para salvar a vida destes veteranos norte-americanos, o médico especialista em cirurgia plástica pediátrica Richard J. Redett, do hospital Johns Hopkins, sublinha que a operação é muito importante para os homens que a receberão. "Se conhecerem estas pessoas, vão perceber o quão importante isto é para elas", afirmou, citado pelo mesmo jornal. "Perder o pénis e partes do escroto é devastador. Essa parte do corpo está tão fortemente ligada ao sentido de identidade enquanto homem".

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