Primeiro bebé com três "pais" nasceu no México

Já tem cinco meses e é um menino. O bebé nasceu saudável graças uma nova técnica, com ADN de três pessoas

Nasceu no México, já tem cinco meses e é um menino. É o primeiro bebé com três "pais", ou seja, com ADN de três pessoas, fruto de uma técnica considerada revolucionária, avança a revista New Scientist.

A utilização de material genético de três pessoas, que permite que pais com mutações genéticas tenham bebés saudáveis, foi aprovada no Reino Unido no ano passado, mas não tem enquadramento legal ou não é legal em muitos países, incluindo nos Estados Unidos, o que obrigou os cientistas e o casal em causa a optarem pelo México, onde o bebé acabou por nascer, a 6 de abril.

Os pais do bebé, ambos jordanos, procuraram a ajuda da equipa de John Zhang em Nova Iorque. A mãe do bebé, de 36 anos, é saudável, mas é portadora dos genes do Síndrome de Leigh, uma doença rara e fatal. Depois de sofrer quatro abortos e de perder dois filhos, de 6 anos e oito meses, por causa da doença, a mulher e o marido decidiram procurar ajuda para garantir que podiam ter um bebé saudável.

Os genes desta doença estão associados às mitocôndrias, que geram a energia necessária às funções celulares e têm apenas 37 genes que são transmitidos de mãe para filho - a maioria do ADN, por outro lado, está no núcleo.

A equipa de Zhang usou uma nova técnica, que permitiu não destruir embriões à partida, uma exigência do casal muçulmano: removeram o núcleo de um ovócito da mulher e inseriram-no num de uma dadora ao qual tinham tirado o núcleo - depois este foi fertilizado com o esperma do marido. Há, portanto, material genético de três pessoas: um ovócito com o núcleo da mãe e as mitocôndrias saudáveis de uma dadora e ainda o esperma do pai.

Foram criados cinco embriões, segundo a New Scientist, dos quais apenas um se desenvolveu normalmente, tendo sido implantado no útero da mulher. O bebé nasceu nove meses depois e apenas um por cento das mitocôndrias têm a mutação.

Esta nova técnica levanta questões éticas que têm sido muito debatidas, nomeadamente no Reino Unido, aquando da aprovação da já referida lei. John Zhang não tem dúvidas, no entanto, que fez o mais correto: "Para salvar vidas é o mais ético a fazer", justifica.

Sian Harding, do Imperial College London, salienta à New Scientist que a equipa não destruiu embriões e que o bebé é um rapaz, o que significa que não vai passar ADN mitocondrial com os genes da doença.

A equipa vai apresentar um artigo no Congresso da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em outubro.

Houve já casos em que para evitar doenças congénitas se introduziu material genético de uma terceira pessoa no óvulo fecundado, uma técnica que foi desenvolvida na década 1990. Nos casos dos bebés gerados com esse processo, no entanto, ainda que tivessem material genético de três pessoas, o óvulo fecundado continuava a ser o da mãe.

No caso do bebé agora nascido no México, a mitocôndria do óvulo é da dadora, o núcleo do mesmo da mãe e o esperma do pai, pelo que se pode dizer que esta criança tem, biologicamente, três progenitores.

Artigo alterado. A revista New Scientist removeu os nomes da família da peça original, a pedido da clínica, pelo que os nomes foram retirados e são omitidos numa nova versão desta notícia

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