Prémio Gulbenkian distingue apoio a refugiados

Presidente da República destaca a importância de dar dignidade às pessoas

O Presidente da República destacou a presença de três chefes de Estado portugueses na entrega do Prémio Internacional Calouste Gulbenkian Direitos Humanos, que disse "representarem a continuidade do Estado" no apoio a esta causa. Além de Marcelo Rebelo de Sousa, estiveram presentes na cerimónia Jorge Sampaio, que presidiu ao júri do Prémio, e Aníbal Cavaco Silva, que assistiu na plateia.

"Simbolicamente, aqui estão presentes três sucessivos Presidentes da República, que representam mais de vinte anos da vida nacional", destacou Marcelo Rebelo de Sousa, enumerando três dimensões dessa continuidade.

Em primeiro lugar, disse, continuidade "na gratidão" do Estado à Fundação Calouste Gulbenkian, pelo seu apoio nas mais variadas áreas, desde as artes às ciências, bem como pelas suas "preocupações cívicas". "Segunda dimensão, continuidade no apoio à coesão social, em si própria, e ligada à sustentabilidade e ao conhecimento", referiu. Finalmente, o atual Chefe do Estado apontou como a terceira dimensão de continuidade simbolizada pela presença dos três Presidentes "a defesa dos direitos humanos, em particular a defesa dos direitos dos migrantes e refugiados".

"A continuidade do Estado, traduzindo a continuidade da nação, tem respeitado, tem salvaguardado, tem tido como preocupação constante o que é um princípio constitucional e, acima de tudo, ético: o primado da dignidade da pessoa humana expresso numa situação concreta que se projeta nos dois prémios atribuídos", afirmou, referindo-se aos refugiados. Salientou que este primado da dignidade da pessoa humana existe "independentemente dos poderes" que vigoram nas várias partes do mundo e salientou a sua importância "na Europa do passado, do presente e do futuro". Antes, o antigo Presidente da República Jorge Sampaio lamentou que a Europa e os Estados Unidos pareçam "bater em retirada" na área dos direitos humanos e apelou a um trabalho conjunto na área dos refugiados.

O Prémio Internacional Calouste Gulbenkian Direitos Humanos reconheceu este ano ações de mérito na defesa dos refugiados, tendo premiado ex aequo o Hungarian Helsinki Committee, organização não governamental que dá apoio a migrantes e refugiados na Hungria, e a Jane McAdam, investigadora australiana na área do Direito.

Os dois vencedores repartirão o prémio para os direitos humanos de 100 mil euros da Fundação Gulbenkian, como reconhecimento do "inestimável contributo na defesa dos direitos humanos, em particular dos refugiados".

Os vencedores nacionais dos Prémios Gulbenkian 2017 nas categorias de Conhecimento, Sustentabilidade e Coesão, no valor de 50 mil euros cada, são a Sociedade Portuguesa de Matemática, a Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense e a Sociedade Artística Musical dos Pousos. Lusa

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