Os portugueses já apresentaram mais de 200 reclamações relacionadas com plataformas de encontros, tendo as ocorrências registadas no Portal da Queixa vindo a crescer nos últimos anos. Os problemas com pagamentos lideram as queixas, mas são também relatados preocupações com segurança e privacidade, fraudes e serviços não cumpridos.Segundo os dados analisados, desde 2019, quando foram registadas 22 queixas, o número tem evoluído até atingir 33 reclamações no ano passado. No primeiro semestre deste ano já foram contabilizadas 20 ocorrências, o que, a manter a tendência, significará um novo aumento este ano.De acordo com um comunicado enviado pelo Portal das Queixa às redações, as principais reclamações em 2026 dizem respeito sobretudo a problemas financeiros, como cobranças indevidas e dificuldades na obtenção de reembolsos, que representam mais de 40% dos casos."Seguem-se preocupações com segurança e privacidade, incluindo suspeitas de fraude e utilização indevida de dados pessoais, bem como falhas técnicas, problemas na qualidade do serviço e incumprimentos contratuais", indica a nota.Entre os relatos dos consumidores destacam-se "denúncias de criação de perfis falsos com fotografias sem consentimento, utilização de sistemas automatizados para simular interações e serviços de elevado custo que não cumprem o prometido".“Foi criada uma conta com a minha fotografia, sem o meu conhecimento (…) Solicito a remoção imediata”, denunciou um consumidor. Outro alertou para um “aplicativo fraudulento” que alegadamente utiliza perfis falsos para obter pagamentos. E ainda há queixas de serviços premium superiores a 3000€ sem correspondência com o prometido.Mais de metade das queixas provém de pessoas entre os 45 e os 64 anos, "sendo também nestas faixas que se concentram as idades médias mais elevadas em serviços premium de matchmaking".Apesar de existir um equilíbrio global entre homens e mulheres, em 2019 e 2024 as mulheres lideraram as reclamações, enquanto em 2023 e este ano são os homens a liderar. De acordo com Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, "estes indicadores reforçam a necessidade de maior transparência, controlo e proteção do consumidor num setor em crescimento, mas ainda marcado por desafios significativos ao nível da confiança". "Com o crescimento contínuo deste tipo de plataformas, a monitorização e resposta eficaz às reclamações tornam-se essenciais para garantir a proteção do consumidor e a credibilidade do setor", acrescentou.