Portuguesa acusa serviços sociais britânicos de lhe tirarem o filho

Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas está a acompanhar o caso e ofereceu apoio jurídico gratuito, que foi recusado pela mãe

Santiago nasceu no dia 1 de fevereiro de 2016, filho de Iolanda Menino, portuguesa, e Leonardo Edwards, de nacionalidade inglesa. O casal, residente em Southampton, no Reino Unido, alega que os serviços sociais britânicos lhes levaram o filho recém-nascido, cinco dias após o nascimento.

Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades confirmou ao DN que o caso está a ser acompanhado pelo Consulado Português, mas que Iolanda Menino recusou o apoio jurídico gratuito que lhe foi disponibilizado. Os pais de Iolanda, representados por um advogado português, terão manifestado junto dos serviços sociais britânicos a sua disponibilidade para ficarem com a guarda da criança, mas o advogado que os representava abandonou entretanto o caso, alegando quebra de confiança.

A mesma fonte garante que a Secretaria de Estado tudo tem feito para assegurar que sejam respeitados os direitos da mãe e do bebé, mas será um juiz britânico a decidir a quem será confiada a custódia da criança. A última audiência, a 19 de março, decidiu que existia "risco" se Santiago ficasse sob tutela dos pais, estando a criança temporariamente à guarda dos serviços de adoção. Os avós maternos permanecerão disponíveis para serem tutores.

As razões dos serviços sociais para retirar o filho ao casal não estão completamente esclarecidas. O relato dos pais, no entanto, mostra que houve falhas da parte da família no seguimento do rigoroso protocolo imposto no Reino Unido após o nascimento de uma criança.

O DN não conseguiu chegar à fala com Iolanda Menino ou Leonardo Edwards, mas ambos têm recorrido às redes sociais para denunciar os serviços britânicos, acusando-os de terem "raptado" Santiago, que tem agora dois meses. Criaram mesmo uma página no Facebook, à qual chamaram Our Baby was Snatched by the Social Services (O nosso bebé foi raptado pelos serviços sociais) e uma petição online, onde dão a sua versão dos acontecimentos: o parto de Santiago aconteceu em casa, numa piscina improvisada, tendo a parteira designada pelo Serviço Nacional de Saúde britânico chegado seis horas depois de ter sido chamada. "Não foi compreensiva", garantem, no texto da petição, explicando que foi necessário transportar Iolanda para o hospital para remover a placenta cirurgicamente, depois de uma grave hemorragia. A parteira não os terá acompanhado ao hospital, contando o casal que houve insistência da equipa da unidade hospitalar em observar o recém-nascido. Iolanda e Leonardo responderam, no entanto, que só a mãe precisava de assistência médica, uma vez que a criança já tinha sido observada pela parteira em casa.

Ainda de acordo com o texto publicado pelo casal, já depois de Iolanda ter tido alta duas parteira terão tentado visitar a família em casa nos dias que se seguiram ao nascimento, mas não foram recebidas. Uma delas, a que os tinha acompanhado até ali, escrevem, só teria disponibilidade para os ver na semana seguinte, a 12 de fevereiro.

Também o hospital, The Princess Anne Hospital Southampton, enviou uma médica, que o casal não recebeu por não gostar da "atitude". Fonte da secretaria de Estado das Comunidades refere que o casal terá resistido a deixar a criança receber tratamento para icterícia.

Um agente da polícia foi igualmente à residência de Iolanda e Leonardo para ver Santiago, referindo o casal que o polícia viu o recém-nascido e conversou com ambos os pais. "Os serviços sociais levaram o nosso bebé sem fornecer qualquer documentação. O nosso bebé foi roubado e colocado ao cuidado dos serviços de adoção. Agora, não estamos autorizados a vê-lo, o que impede a amamentação", concluem.

O casal iniciou entretanto uma recolha de fundos online, justificando que estão ambos empenhados em recuperar o filho e precisam, portanto, de ajuda para pagar as despesas. Pedem 6000 libras, cerca de 7400 euros, garantindo que todo o dinheiro será depositado numa conta para Santiago. Já reuniram cerca de 1800 euros até ao momento.

No YouTube, divulgaram vários vídeos onde contam a sua história.

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