O arranque da manhã desta quarta-feira, 3 de junho, traz as habituais imagens de manifestações. Mas a comparação entre a história laboral portuguesa e os dados do Instituto Sindical Europeu e da Pordata demonstram que Portugal está no fim da linha europeia em dias de trabalho perdidos por greve.A paralisação sente-se sobretudo nos nós vitais do quotidiano. A métrica utilizada para medir a intensidade das greves é o número de dias de protesto por ano por cada mil trabalhadores. Apesar da dramatização pública, os números mostram um país mais pacífico do que os parceiros europeus. A Finlândia lidera com 142 dias de protesto por mil trabalhadores, seguida da Bélgica (94) e do Reino Unido (91). França regista 77, Espanha 39 e a Alemanha 21. Portugal surge no fundo: apenas nove dias.Um trabalhador finlandês passa quase 15 vezes mais tempo em greve do que um português; mesmo face a Espanha, Portugal regista quatro vezes menos contestação. A discrepância entre perceção e realidade explica-se pela evolução desde 1986: de greves de massas para greves cirúrgicas. Com o declínio da indústria e o peso crescente dos serviços, o impacto concentra-se em infraestruturas críticas. Um pequeno grupo de maquinistas ou controladores pode paralisar o país, apesar de representar poucos trabalhadores. A greve geral contra o programa “Trabalho XXI” ilustra esta nova era: Portugal não para porque todos param, mas porque os seus nós logísticos fecham. Os números europeus são claros: Portugal trabalha muito mais do que protesta; quando protesta, fá-lo onde mais dói. .Explicador sobre a greve geral: legislação, impacto e direitos dos trabalhadores .Primeiro-ministro acredita que "esmagadora maioria" vai trabalhar na Greve Geral.Greve geral. Médicos e enfermeiros esperam que só serviços mínimos funcionem