58 530 infeções é novo recorde. Há 11 meses que não havia tantos óbitos

O boletim diário da DGS indica que este foi o terceiro dia consecutivo com mais de 50 mil novos casos. Foram ainda registados 49 mortos. Os internados voltaram a subir (2044) e há mais 10 doentes em UCI. Incidência continua a aumentar.

Foram confirmados, nas últimas 24 horas, 58 530 novos casos de covid-19 em Portugal, um novo recorde desde o início da pandemia. Este é o terceiro dia consecutivo com mais de 50 mil novas infeções.

O Norte continua a ser a região com mais casos em Portugal, tendo atingido 24 930 nas últimas 24 horas, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo (17 673), Centro (8719), Algarve (2199), Alentejo (2011), Madeira (1890) e Açores (1108).

Há ainda a registar 49 mortes associadas à infeção, indica ainda o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) desta sexta-feira (21 de janeiro). Refira-se que este é o número de óbitos mais alto desde o dia 26 de fevereiro de 2021 (há quase 11 meses), quando foram declarados 58.

Na distribuição de mortes por regiões, Lisboa e Vale do Tejo declarou 19, no Norte foram 14, no Centro chegou aos nove, na Madeira foram cinco, enquanto Alentejo e Algarve tiveram uma vítima cada.

Relatório diário refere também que os hospitais têm 2044 internados devido à doença (mais 40), dos quais 162 (mais 10) estão em unidades de cuidados intensivos.

A atualização da taxa de incidência indica uma subidam sendo agora de 4731,3 casos de infeção por 100 mil habitantes, quando na quarta-feira era de 4490,9 casos. Esta subida é comum na análise feita no continente que é agora de 4674,0 (era de 4437,4).

Quanto ao R(t) sofreu uma nova descida, sendo agora de 1,10 (era de 1,11 na quarta-feira) no território nacional. Já no continente mantém-se em 1,10.

Há, no entanto, mais 20 156 pessoas que recuperaram da covid-19.

Com esta atualização, Portugal tem, atualmente, 422 893 casos ativos de infeção por SARS-CoV-2.

Mais de 100 mil crianças e jovens testaram positivo desde o recomeço das aulas

Dados atualizados da situação pandémica no país quando mais de cem mil crianças e jovens testaram positivo à covid-19 desde que as aulas recomeçaram, a 10 de janeiro. Tanto pais como alunos alertam para problemas de aprendizagem com as aulas à distância.

Desde que recomeçaram as aulas após as férias do Natal surgiram 106 553 novos casos de infeção entre crianças e jovens até aos 19 anos, segundo contas feitas pela Lusa com base nos dados divulgados entre 10 de janeiro e esta quinta-feira pela DGS.

Em 10 dias, registaram-se 51 218 novos casos em crianças até aos nove anos e 55 335 novos casos de infeção em jovens entre os 10 e os 19 anos.

São milhares de alunos em isolamento por estarem infetados ou viverem com pessoas que testaram positivo ao SARS-CoV-2, que provoca a covid-19. Os casos sucedem-se, dificultando a tarefa de ensinar e de aprender.

"Não está a ser nada fácil. É mesmo muito complicado. Em todas as escolas há turmas com alunos positivos ou isolados", contou o presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, estimando que "mais de 5% dos alunos" estejam atualmente em casa.

Riscos da variante Ómicron são 50% a 60% inferiores aos da variante Delta

O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) anunciou que a variante Ómicron, responsável por dois terços dos novos casos de covid-19 na Europa, representa menos 50% a 60% de risco de hospitalização e morte do que estirpes anteriores, como a Delta.

Num relatório divulgado hoje com uma atualização epidemiológica à data de 20 janeiro, o ECDC assinala que a Ómicron "foi identificada em todos os países" da União Europeia e Espaço Económico Europeu, com uma "prevalência estimada de 69,4%", mais 20% face à semana anterior.

"Através de estudos realizados em vários cenários, verificou-se que o risco de hospitalização foi menor para a Ómicron do que para a variante Delta. Contudo, a imunidade prévia à infeção natural, a vacinação incluindo doses de reforço e as melhores opções de tratamento contribuem para resultados menos graves, o que torna difícil estimar o risco inerente de infeção grave", contextualiza a agência europeia.

Ainda assim, "a maioria dos estudos encontrou uma redução do risco na ordem dos 50-60%", especifica o ECDC.

Risco global muito elevado para a saúde pública associado à propagação da Ómicron

Dados avançados pelo centro europeu demonstram que, do total de 155 150 casos da variante Ómicron comunicados entre os dias 20 de dezembro de 2021 e 9 de janeiro de 2022, 1,14% destes resultaram em internamentos, 0,16% implicaram apoio respiratório nas unidades de cuidados intensivos e 0,06% morreram.

Neste período, foram 570 o número de casos desta estirpe em Portugal comunicados ao ECDC, de acordo com o relatório.

"Estudos iniciais sugerem que as vacinas atuais podem ser menos eficazes contra a infeção Ómicron, embora ainda proporcionem proteção contra a hospitalização e doenças graves. Dada a vantagem do crescimento exponencial da propagação e o elevado número de casos, quaisquer benefícios potenciais de uma menor severidade observada podem ser ultrapassados pelo simples número de resultados graves ao longo do tempo", alerta o ECDC.

A agência europeia fala, por isso, num nível global de risco muito elevado para a saúde pública associado à emergência e propagação da Ómicron.

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