A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi ouvida na manhã de quarta-feira na Comissão Parlamentar da Saúde a pedido do Chega e do Bloco de Esquerda. Foram cinco horas em que a governante esteve a responder aos deputados, mas quando chegou a vez do PS e o deputado João Paulo Correia lhe perguntou como pensava cumprir a promessa de dar um médico a todos os utentes, os números dados pelo Governo e os que o PS tinha retirado do Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não coincidiram. E a polémica estalou. O PS não perdeu a oportunidade de dizer que este “Governo tem um problema com números” e que, segundo o portal, havia agora mais utentes sem médico de família do que quando os socialistas passaram a pasta. Questionado o Ministério da Saúde sobre os números anunciados pela ministra, já que estes, de facto, não coincidiam com os do Portal e nunca tinham sido referidos, a explicação chegou um dia depois. E, afinal, segundo o ministério, ambos têm razão. A ministra deu os números dos utentes e das ilhas sem médico de família e o PS só os do continente, porque são estes que estão no Portal do SNS. “O número de utentes sem médico de família a 31 de janeiro de 2025 veiculado pela Senhora Ministra da Saúde (1.708.651) inclui os utentes das Regiões Autónomas da Madeira e Açores. Não existe, portanto, comunicação de informação errada, apenas informação que representa diferentes universos: Portal da transparência (refere dados de Portugal continental) e a informação da Senhora Ministra da Saúde (dados nacionais incluindo as Regiões Autónomas)”, explica o ministério..Mais cirurgias e consultas no SNS em 2024 do que em 2023, anunciou ministra da Saúde.“A Saúde a norte é uma coisa e a Saúde a sul é outra”, diz ministra.Ministra diz que cobrança de cuidados de saúde a estrangeiros é inviável em muitos casos. Recorde-se que, na quarta-feira, a ministra referiu na Comissão Parlamentar que em janeiro de 2024 havia 1,9 milhões de utentes sem médico de família, e que, em junho, dois meses depois de este Governo chegar ao poder, este número era de 1,7 36 milhões. No final de dezembro era de 1,646 milhões . Do lado do PS, os números levados pelo deputado João Paulo Correia tinham sido retirados do Portal e reportavam a março de 2024, quando passaram a pasta ao PSD, em que havia 1,539 milhões de utentes sem médico de família. No final de dezembro de 2024, ainda segundo os dados citados pelo PS, o número era de 1 522 545, o que está correto de acordo com o Portal sobre os utentes do continente. Mas o ministério juntou a este número mais 123 941 utentes na mesma situação na Madeira e nos Açores, o que dá um total de 1 646 486, que foi o número referido pela ministra Ana Paula Martins.