Polícias não chegam a acordo com o Governo sobre suplemento para unidade fronteiriça
O Governo e as associações sindicais das forças policiais não chegaram a um acordo para o valor do suplemento dos agentes da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), que esteve a ser discutido esta quinta-feira.
De acordo com a RTP, o governo tinha proposto 160 euros de suplemento a ser aplicado já este ano e com crescimento previsto para 210 a partir de 2027. Este suplemento, no entanto, iria significar a perda de outros já auferidos pelos agentes, como o suplemento de patrulha.
À saída da reunião como o ministro da Administração Interna, Paulo Santos, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), classificou a proposta como "frágil". "Há aqui incongruências. Um profissional que entre na UNEF vai perder o suplemento de patrulha ou de comando", disse aos jornalistas.
Para Paulo Santos, esta proposta "não vai atrair um jovem da patrulha" porque o aumento, perdendo o suplemento de patrulha e ganhando o da UNEF, ficaria apenas "na casa dos 70 euros", pondo em risco a estabilidade da unidade.
"Queremos uma valorização para os colegas da UNEF porque têm uma dupla formação e estão a fazer missões que eram de outras polícias e eram muito bem pagas", acrescentou, sublinhando que a ASPP quer "renegociar estes valores" e "reestruturar" os "suplementos e tabelas remuneratórias".
Depois da reunião com os sindicatos da PSP, que terminou depois das 18h00, o ministro da Administração Interna recebe ainda as associações representantes da GNR.
Esta reunião foi convocada pelo MAI e está prevista outra reunião para o dia 29 de setembro sobre a reestruturação das carreiras e a organização do tempo de trabalho, segundo as convocatórias a que a Lusa teve acesso.
Na semana passada, a ASPP/PSP e a APG/GNR anunciaram um ciclo de protestos conjuntos entre 22 de setembro e 30 de outubro.
Em causa, sustentaram, está o incumprimento do acordo assinado com o Governo em 2024 por cinco organizações sindicais, que aumentou em 300 euros o suplemento de risco, para valores distintos do da PJ, mas que ainda não concretizou a revisão salarial, de carreira e do sistema de avaliação.
Com Lusa

