
Cerca de dez pessoas algemadas estão sentadas no chão na Praça D. Pedro IV (Rossio), presumivelmente a aguardar transporte.
Pelo menos uma está visivelmente ferida.
Estes detidos serão presentes a juiz, uma vez que respondem por crime de desobediência, tal como todos os manifestantes foram várias vezes informados pela PSP no local, por não acatar a ordem de desmontar as tendas passada a ordem das 0h30 desta madrugada de domingo.
Após a intervenção na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisnoa, várias pessoas refugiaram-se na vizinha Praça da Figueira.
Dezenas de agentes do Corpo Especial de Polícia estão a vigiar este grupo e uma intervenção estará iminente.
Agentes são agredidos no Terreiro do Paço por cadeiras de metal retiradas de esplanadas por um grupo de pessoas que se juntou nesta praça ribeirinha.
São também insultados através de um megafone que um dos elementos deste grupo possui.
A polícia mantém-se para já em posição expetante, enquanto chegam reforços.
Agentes da força de intervenção da PSP descem pela Baixa de Lisboa, pela Rua do Ouro e Rua Augusta, em direção ao Terreiro do Paço em busca de grupos de manifestantes.
Como noticiado, várias dezenas de pessoas fugiram por estas artérias.
A sua passagem é notória: dezenas de caixotes do lixo foram tombados para a via, com o seu conteúdo no chão, e, na Rua Augusta, cadeiras e mesas de esplanada foram derrubados.
A juntar a estes detritos também se encontram restos de tendas que alguns manifestantes ainda levaram com eles.
Uma vez que a normal circulação não chegou a ser cortada nesta área, nem ruas adjacentes, a polícia tenta controlar os acontecimentos e a ordem pública na zona.
A polícia também está a deter pessoas na cidade do Porto. A intervenção policial terá sido coordenada entre as duas cidades.
Agentes estão a deter várias pessoas que resistiram até à intervenção policial.
Ao fim de dez minutos de intervenção ainda se encontram alguns manifestantes ensaiando um cordão humano e outros entoando cânticos na zona das escadarias.
A zona da praça foi libertada, permitindo a retirada das tendas.
Segundo a CMTV no local, houve registo de dois feridos, após a intervenção, bem como algumas pessoas que precisaram de apoio psicológico - que foi prestado no local.
Uma manifestante, identificada como Diana, falou em "tasers, cães e bastonadas enquanto as câmaras não estavam a filmar".
Os agentes policiais utilizaram essencialmente os escudos para empurrar os manifestantes para as escadarias, tendo isolado os menos colaborantes para os deter, manietando-os.
Força de intervenção da PSP avança sobre os manifestantes, que não arredaram pé.
A carga policial é feita com bastões e ouvem-se detonações - presumivelmente engenhos pirotécnicos como petardos.
Várias pessoas estão a ser detidas.
Há registo de feridos. Pessoas que caem no chão e ficam com ferimentos são visíveis.
Várias pessoas fogem pelas artérias da Baixa lisboeta, nomeadamente pela Rua do Ouro e Rua Augusta.
Em cerca de dez minutos os grupos que se encontravam organizados foram dispersados.
Agente da Polícia de Segurança Pública volta ao megafone dizendo que não haverá mais avisos e ordena a dispersão dos manifestantes, dizendo que quem não o fizer incorre em crime de desobediência.
Polícia estabelece perímetro externo na Praça D. João I, no Porto, de forma a manter populares que tentar chegar aos manifestantes que se mantêm no local.
O episódio gera alguma confusão.
Oficial da PSP diz ao megafone que "é concedido um prazo adicional de três minutos" para que abandonem o local, desmontando as tendas.
O agente lia uma advertência, dando conta que a manutenção destas estruturas compreende um crime de desobediência.
Assembleia popular - com votação de braço no ar - no Porto aprovou cerca da 1h00 (entretanto o país entrou em horário de inverno) por maioria (ainda que sem votos contados) manter as tendas montadas como "resistência pacífica".
O cordão humano que está a proteger as tendas, em expetativa da carga policial para retirar estas estruturas, mantém-se.
Oficial da PSP no comando das operações no Rossio continua a dialogar com membros da anifestação pedindo-lhe para que as tendas sejam retiradas.
Entre eles, encontrou o deputado único do BE, Fabian Figueiredo.
No entanto, a única coisa que obteve em resposta foram pedidos para que "desmobilize esta força policial".
O deputado, depois de falar com o agente, disse aos jornalistas que "não é nenhum negociador", pelo que não se prestou a mediar a situação entre as autoridades e os manifestantes.
"Não quero acreditar que a polícia está cá por vontade própria. Ouvimos responsáveis governamentais a querer escalar", disse. "O senhor primeiro-ministro deve aparecer e dar orientações à PSP para não reprimir a manifestações de Lisboa."
Por megafones a PSP volta a apelar que as tendas sejam desmontadas, dando um prazo de 15 minutos para que tal aconeça.
A maioria dos manifestantes nem terá ouvido estas palavras, entre cânticos, provocações e outros gritos.
Polícia de Intervenção rodeia todo o Rossio e prepara-se para intervir. Manifestantes mostram-se revoltados.
Manifestantes criam cordão humano em redor das tendas como que a tentar defendê-las.
Ouve-se "o povo unido jamais será vencido".
Porta-vozes das manifestações afirmam que "existe o direito à manifestação após a meia-noite e meia". Ao que, pacientemente, os agentes da PSP e da Polícia Municipal, lhes disse que estão a agir de acordo o normativo que apenas lhes permite manifestarem-se até às 0h30.
Após vários minutos de diálogo sem quaisquer conclusões, perante os jornalistas, o agente da Polícia Municipal no local termina: "Não vamos protelar mais isto."
Mas foi claro que do lado dos manifestantes não existe qualquer intenção de abandonar a praça. Nem de retirar as tendas - que é a questão principal no momento, uma vez que a presença das pessoas no local público não está em causa.
A PSP entende que a permanência das tendas efetivaria a ocupação indevida do espaço público.
Com a intervenção policial iminente, as pessoas em protesto no centro do Porto optaram por montar um cordão humano, de braços entrelaçados, de forma a resistir a uma eventual intervenção em força da parte da polícia.
Movimentações dos agentes da Polícia de Segurança Pública, equipando-se com capacetes e escudos, dão a entender que se preparam para uma intervenção.
Não há sinal da parte de quem permanece na Praça D. Pedro IV de desmobilização, incluindo retirada das tendas.
Representantes da PSP e da Polícia Municipal mantêm-se em diálogo com porta-vozes dos manifestantes. O grupo é visível frente ao Teatro Nacional D. Maria II.
O oficial da PSP que está a comandar as operações no Porto esclarecei os jornalistas que a polícia deu "mais tempo" aos manifestantes para "conversarem entre eles, para que de forma pacífica possam retirar as tendas"
Mas não deixou dúvidas: "Isto não é um parque de campismo. Se eles não retirarem as tendas após o prazo que lhes dermos estarão a cometer um crime de desobediência"
O oficial afirmou que foi dado um prazo de "dez minutos" para que eles conversassem e que aguardam agora que os porta-vozes da manifestação volte ao diálogo.
A PSP informou os manifestantes presentes na Acampada do Porto, que podem pernoitar na Praça D. João I, mas apenas se desmontarem as tendas.
A comunicação foi feita a alguns manifestantes na presença de um advogado do movimento, Tiago Machado.
PSP tinha avisado os manifestantes que montaram tendas tanto em Lisboa como no Porto que estas estruturas teriam de ser retiras às 0h30, hora do fim da licença para manifestação, bem como a música ser desligada.
No entanto, apesar de as colunas de som se terem calado, não há em nenhuma das cidades movimentos para desmontar as tendas nem os manifestantes arredam pé no local, sob o olhar atento dos muitos agentes para ali deslocados.
A Acampada de Lisboa pelo direito à habitação contabilizou este sábado, cerca das 22h00, um total de 130 tendas montadas na Praça do Rossio, onde "cerca de 300 pessoas" dizem pretender dormir esta noite.
A contabilização das pessoas que pretendem dormir nas tendas foi feita em reunião de delegados dos grupos de afinidade dos campistas da Acampada de Lisboa.
No início desta reunião, que começou pelas 22h00 em frente às tendas montadas junto à estátua de D. Pedro IV, os organizadores reforçaram que, a partir das 00h30, há risco de detenção por parte da polícia.
Para acompanhar o evoluir da situação e decidir como agir, decidiram voltar a reunir-se às 23h30. Lusa
A poucos minutos da 15h00, ainda poucas pessoas se concentravam entre a praça do Marquês de Pombal e o início da Avenida Liberdade, onde o trânsito ainda era abundante naquela que é uma das vias mais movimentadas da cidade.
A subir a avenida, uma carrinha de caixa aberta com uma tenda na parte de trás passava ao som de música e com uma faixa bem visível de lado com uma das palavras de ordem: “Viva o Poder Popular”. Essa carrinha foi constantemente a cabeça da manifestação, de onde se ouviam gritos de “Oh Montenegro, presta atenção, as tuas casas vão virar ocupação”.
A PSP avisou este sábado (24 de outubro) que não vai permitir que as tendas dos manifestantes pelo direito à habitação fiquem montadas durante a noite no Rossio, em Lisboa, referindo que vai intervir caso “o acampamento ilegal” se mantenha.
Ressalvando que a PSP vai privilegiar o diálogo, fonte policial disse à Lusa que a polícia vai manter os procedimentos da última semana, não permitindo que as tendas fiquem durante a noite no Rossio.
Numa resposta oficial enviada à Lusa, a Polícia de Segurança Pública refere que vai continuar “a acompanhar e a avaliar a evolução da situação através de uma avaliação dinâmica do risco, privilegiando o diálogo, a comunicação, a sensibilização e a mediação na resolução de eventuais situações”.
A PSP sustenta que a Constituição da República Portuguesa e a lei são o “referencial de atuação” da polícia, que orienta a sua intervenção “pelos princípios da legalidade, da proporcionalidade, da adequação e da necessidade”.
Após a manifestação em Lisboa, que reuniu milhares de pessoas, os manifestantes pelo direito à habitação começaram ao fim da tarde a montar as tendas no Rossio.
A PSP refere também que, até ao momento, as manifestações, que decorreram em várias cidades do país, têm decorrido dentro da normalidade. Lusa
Com uma multidão que ficou da minha manifestação, a assembleia popular no Rossio já decorre.
Entre as palavras de ordem de fim dos fundos imobiliários, da especulação e rendas mais baixas, passam-se algumas mensagens a quem promete ficar a acampar, nomeadamente algumas instruções sobre como vai funcionar internamente o acampamento, com delegados dos grupos de afinidade dos acampados e uma reunião marcada para as 22h00.
Duas centenas de pessoas manifestaram-se este sábado na Praça 8 de Maio, em Coimbra, para pedir respostas para a crise habitacional, tendo como uma das revindicações “derrotar da lei dos despejos”.
Os manifestantes começaram a concentrar-se na Baixa da cidade depois das 15h30, gritando “Eu quero um teto, eu quero um chão, quero o direito à habitação” e “Agora que estamos juntas, agora que nos veem, abaixo a lei das rendas que vai cair, vai cair! E viva a habitação, a resistir, a resistir”.
Durante a tarde foi colocada uma tarja num dos edifícios da praça onde se podia ler “Casa para quem habita, terra para quem a trabalha”.
“Ordenado mínimo – renda = Não dá”, “Egoístas? Quem diz é quem é”, “País em pleno emprego sem direito a aconchego” e “Políticas que assustam” eram algumas das mensagens dos cartazes empunhados pelos participantes.
Rebeca Moore, da organização, explicou à Lusa que a luta pela habitação tem tomado “proporções muito grandes” e que é preciso “fazer manifestações muito grandes” e ao fim de semana, para juntar quem não consegue fazê-lo durante a semana, uma vez que luta pela habitação “é transversal à sociedade”.
“As pessoas chegam ao final do mês sem salário, em muitos sítios o valor das rendas é maior [do] que o próprio salário médio. É por isso que nós convocamos esta concentração, porque achamos absurdo que existam fundos imobiliários em Portugal a lucrar milhões enquanto a pessoa comum que trabalha, que faz a suas vida, muitas vezes não tem acesso a habitação digna”, apontou a representante da plataforma Não Dá Mais do núcleo de Coimbra.
Rebeca Moore manifestou ainda solidariedade com as acampadas, movimentos “muito importantes, porque exatamente ocupam o espaço público de uma maneira consistente”, representando a mesma luta.
“É para dizer ‘nós não aguentamos mais, já não dá mais’. Nós precisamos de soluções, nós precisamos de derrotar esta lei que nós chamamos a lei dos despejos e assim podemos começar a falar sobre melhor habitação”, adiantou.
Entre as reivindicações deste protesto, detalhou, estiveram o derrotar a lei dos despejos, colocar teto às rendas, o fim da compra de imóveis pelos fundos imobiliários e o fim aos despejos.
Paula Prada, de 54 anos, disse à Lusa estar no protesto pelas suas filhas, estudantes de 20 e 24 anos, e que vivem ainda consigo, por não terem perspetivas.
“Achamos que temos de estar aqui por elas. Acho que elas merecem isso”, afirmou emocionada, considerando que “é uma vergonha o que se está a passar”.
Para Paula Prada, é preciso que a sociedade se mobilize mais e que se perceba que “a mudança é obrigatória”, não se podendo continuar a fingir que não está acontecer um problema, que, no seu entender, é “gravíssimo”.
“E temos um Governo que finge que nada está a acontecer, que acha que a culpa ainda está em quem está necessitado e que nada faz e que nem sequer os quer ouvir”, criticou.
Sara Martins, de 30 anos, também marcou presença na manifestação porque, ao longo dos últimos anos, o problema da habitação “tem-se vindo a agravar” e, mesmo a nível internacional, “não dá mais”.
“Acho que o povo se está agora a juntar para, de facto, reclamarmos estes direitos que estão consagrados na nossa Constituição de forma a pedir ao Governo que, de facto, os faça cumprir, entre eles a habitação”, sustentou à Lusa.
Investigadora na Universidade de Coimbra, Sara Martins admitiu não ter estabilidade financeira para sair de casa dos pais e não ter as “bases que são necessárias para construir um plano de vida a longo prazo”. Lusa
Com a manifestação já no Rossio, a multidão dividiu-se e a disposição mudou face à acampada anterior e aos protestos que se seguiram.
As tendas voltaram a ser montadas no mesmo lado norte da estátua, viradas para o Teatro Nacional D. Maria II.
Porém, ao contrário do que acontecia antes, o palco onde decorrerá a Assembleia Popular e os concertos dos vários artistas ficou no lado sul.
Cerca de duas horas depois de começar a descer a avenida da Liberdade desde o Marquês de Pombal, a manifestação pelo direito à Habitação começou a chegar à praça D. Pedro IV (também conhecida por Rossio).
A concentração vai agora ficar na praça e reunir a sua Assembleia Popular e, como definido na quinta-feira, voltar a acampar nessa praça, uma semana depois da primeira acampada.
Milhares de manifestantes chegaram este sábado à Praça D. João I, no Porto, para se juntarem a outras centenas de populares que aguardavam a manifestação ao som de música, sol e sob a vigilância de dezenas de polícias de intervenção.
Pelas 17h15, com a frase de ordem "Direito à habitação" e ao som de batuques, bombos e palmas, a população recebeu de pé milhares de manifestantes que saíram da Praça da Batalha, no Porto, pelas 16h30.
Em declarações à Lusa, o subintendente da PSP, R. Silva, avançou que saíram esta tarde da Praça da Batalha, no Porto, cerca de “600 manifestantes”, em direção à Praça D. João I, mas a Lusa constatou no local que ao longo do percurso pelas várias artérias do coração da baixa do Porto, se iam juntando várias centenas de pessoas, com destino à Praça D. João I.
Ao som do poema “Pedra Filosofal” (1956), escrito por António Gedeão e cantado por Manuel Freire, e com canções de intervenção e hinos da resistência em Portugal, como músicas de José Afonso e temas como “Com um brilhozinhos nos olhos”, de Sérgio Godinho, várias centenas de populares aguardavam a chegada de milhares de manifestantes que estão hoje na rua a lutar contra os preços elevados da habitação.
À Lusa, Maria Magalhães, 73 anos, nascida em Esposende e que veio viver para o Porto, está vestida de negro, sentada nas escadas da Praça D. João I, à espera dos manifestantes, com quem diz concordar.
“Apelo às pessoas que estão a governar que olhem para este problema da habitação. O custo de vida, as habitações que os jovens não conseguem suportar e não conseguem comprar casa. Não me admira nada que a juventude se esteja a unir para que possam ter um futuro mais digno - constituir família e ter um futuro digno”, declarou. Lusa
A PSP tem este sábado um dispositivo policial preparado para acompanhar as manifestações pelo direito à habitação em várias cidades do país, com especial atenção em Lisboa e Porto, avançando que vai continuar a privilegiar o diálogo com os manifestantes.
Numa nota sobre o dispositivo policial para as várias manifestações que decorrem em várias cidades, a Polícia de Segurança Pública refere que a prioridade “é garantir o exercício do direito de reunião e manifestação, procurando que todas as iniciativas decorram de forma pacífica e em segurança”.
Segundo a PSP, para as manifestações estão mobilizadas valências do trânsito, para apoiar a gestão dos condicionamentos rodoviários, e equipas de intervenção rápida, estando de reserva os meios da Unidade Especial de Polícia, nomeadamente o Corpo de Intervenção e o Grupo Operacional Cinotécnico.
“A nossa atuação continuará a privilegiar o diálogo, a comunicação e a mediação com os manifestantes, numa lógica de prevenção e de gestão proporcional de eventuais ocorrências”, indica a polícia.
A polícia dá ainda conta que “está também a acompanhar a informação disponível em fontes abertas, incluindo no ambiente digital, de forma a melhor compreender a evolução dos acontecimentos e as intenções publicamente manifestadas, permitindo uma adequada antecipação e gestão de eventuais riscos”. Lusa
O líder do Bloco de Esquerda juntou à manifestação e diz que a mobilização de pessoas de "todas as idades, de todo o país, de todas as origens profissionais" em torno das questões da habitação pode ter impacto. "Foi isso que fez com que o pacote laboral tivesse perdido primeiro na rua e depois no Parlamento. E eu creio que é isso que vai acontecer com a Lei das Rendas", afirmou antes do início da marcha.
José Manuel Pureza sublinhou que "nestes últimos dias não temos ouvido o primeiro-ministro falar sobre estes protestos. Nem sobre isto, nem sobre nada. O primeiro-ministro encontra-se ausente em parte incerta".
O líder do Bloco considera que o "primeiro-ministro não querer ser visto, tem muito a ver também com isto. Ou seja, com a sua vontade de não ser confrontado com uma mobilização nacional que é cada vez mais forte".
Na manifestação está também João Ferreira, vereador da Câmara Municipal de Lisboa pelo PCP, que acusa o Governo de não tomar medidas para resolver o problema da habitação. "Em lugar de tomarem as medidas que se impõem para resolver o problema [da habitação], para combater a especulação imobiliária, para dar outra segurança e estabilidade aos contratos de arrendamento, tomam medidas no sentido oposto. Ou seja, medidas que agravam a especulação imobiliária, criam ainda maior instabilidade e mais dificuldade de acesso à habitação. Isso não pode deixar de gerar indignação", afirmou aos jornalistas.
A deputada do Livre Isabel Mendes Lopes associou-se ao protesto e antes do arranque da marcha, em declarações à RTP, disse que "esta mobilização cidadã tem tido um grande efeito, pelo menos na mudança do tipo de discurso que vemos por parte dos dirigentes políticos, nomeadamente por parte do Governo e dos partidos da direita".
Considera a deputada que "quando começaram estas mobilizações, víamos declarações muito atiçadas, muito até insultuosas relativamente a quem se estava a manifestar, e agora o tom está muito mais amenizado e, portanto, mostra que os governantes percebem que a opinião pública está com os manifestantes e com quem exige soluções concretas para resolver a crise da habitação".
O movimento Acampada de Lisboa promove uma manifestação contra a especulação e pelo direito à habitação, que sairá do Marquês de Pombal até à praça do Rossio. A manifestação "Não temos casa, montamos tendas!" sai da rotunda do Marquês de Pombal e termina na Praça do Rossio, onde tem montado tendas.