A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) condenou esta terça-feira, 8 de junho, "a promoção aberta" de bolsas de nicotina no festival Primavera Sound Porto, alertando que estes produtos provocam forte dependência e podem incentivar o consumo de nicotina entre os mais jovens.A Comissão de Trabalho de Tabagismo da SPP alerta, em comunicado, que "as bolsas de nicotina não são inócuas", contendo substâncias químicas perigosas e uma carga altamente aditiva."Promovê-las num ambiente de festa e lazer é um retrocesso lamentável na saúde pública e uma total falha de responsabilidade social por parte da organização do festival", critica o coordenador da comissão, Daniel Coutinho.Por isso, a SPP manifesta a sua "profunda preocupação e total repúdio" perante a associação comercial e a atribuição de naming rights de um dos palcos principais do festival de música à marca de bolsas de nicotina oral ZYN."O Primavera Sound Porto é um dos maiores acontecimentos culturais do país, atraindo anualmente dezenas de milhares de jovens. É, por isso, com grande perplexidade que os especialistas em saúde respiratória assistem à promoção aberta e desinibida de um produto que induz uma forte dependência e que serve, comprovadamente, como porta de entrada para o consumo de outros produtos de nicotina ou tabaco entre as gerações mais novas", indica a nota.Os especialistas lembram que este patrocínio surge "num momento crítico" em que o Governo português se encontra a finalizar o processo legislativo para proibir a publicidade destas bolsas de nicotina com o intuito de salvaguardar a saúde pública e proteger os menores e condena a estratégia de marketing da indústria, que usa "os grandes eventos de massas para normalizar e expandir o consumo destes produtos aditivos antes que a lei entre em vigor, contrariando o esforço nacional de combate à dependência de nicotina".A Comissão de Trabalho de Tabagismo adianta que contactou formalmente a organização do Primavera Sound Porto por via eletrónica a pedir esclarecimentos acerca da "posição oficial do festival e os critérios éticos subjacentes à aceitação deste patrocínio", mas que ainda não obteve resposta."Não podemos aceitar que marcas associadas à dependência e à indústria do tabaco ganhem este palco de destaque junto de uma população tão vulnerável", critica a SPP, defendendo uma "uma reflexão urgente" por parte das promotoras de eventos culturais.