Perseguiu burlão pela internet durante um ano e entregou-o à polícia

Mulher sabia onde o homem que a burlou estaria então agarrou-o e chamou as autoridades

Carla Mota, de 35 anos, perseguiu durante um ano através da internet o homem que a tinha burlado e entregou-o às autoridades na passada sexta-feira. O burlão, que se apresentou como Paulo Ferreira - nomes do meio - tinha-lhe prometido um emprego e devia-lhe cerca de mil euros, que Carla emprestou achando que seriam usados para o tratamento de um cancro do fígado.

Durante a investigação na internet, Carla, de Matosinhos, descobriu que Paulo, de 41 anos, já tinha burlado outras pessoas e até tinha mandados de detenção em seu nome. Então, sabendo que Paulo Ferreira estaria na sexta-feira no terminal de autocarros da Cordoaria, Carla foi ao local e chamou a polícia.

"Ele chegava às 18h30 e eu já tinha ligado à PSP a pedir auxílio", contou Carla ao Jornal de Notícias, que relata a história na edição desta quarta-feira. "Quando a camioneta parou, encostei-me à porta de trás e, mal ele saiu, agarrei-o pelo casaco e nunca mais o larguei. E disse-lhe: 'daqui já não sais'".

"Os polícias pediram-lhe o passaporte ou o cartão de cidadão atualizado, mas ele só tinha uma fotocópia de um bilhete de identidade caducado e mostrou um comprovativo falso de que era contumaz, mas podia circular", continuou Carla.

Paulo Ferreira, da Maia, foi levado "para a esquadra e depois para a cadeia de Custóias, onde vai ficar preso durante quatro anos por outra burla pela qual foi julgado à revelia e condenado em 2013", explicou a mulher.

Carla conheceu o burlão em outubro de 2015, quando este foi ao supermercado onde ela trabalhava, perto do Hospital de S. João. "Sempre que voltava ao supermercado dirigia-se a mim", contou.

Era tudo muito real. Parecia um conto de fadas

Paulo apresentou-se como um empresário de hotelaria homossexual. No final desse ano, Carla demitiu-se do emprego, iludida por uma proposta fictícia. A mulher chegou a assinar um contrato com a Tierr, uma empresa falsa de imobiliário, hotelaria e marroquinaria.

"Era tudo muito real. Parecia um conto de fadas. Uma oportunidade de ter uma vida mais estável", explica, já que ia passar de ganhar 750 euros por mês, para ganhar 1900 euros líquidos como subdiretora do grupo de hotéis".

Pouco tempo depois, Paulo fingiu estar doente e começou a pedir dinheiro emprestado para comprar insulina e depois pagar tratamentos oncológicos.

Carla contou a Paulo que a mãe tinha morrido de cancro antes de o burlão dizer que tinha esta doença. "Ele começou a tocar nos meus pontos mais frágeis e gerou-se uma empatia", contou a mulher, que diz que Paulo até "rapou as sobrancelhas" e o cabelo para fingir estar em tratamento.

Em março de 2016, sem emprego e sem respostas de Paulo, Carla começou a pesquisar informações sobre o homem na internet e descobriu que ele já tinha burlado muita gente. A mulher apresentou queixa à PSP e decidiu investigar por conta própria, pesquisando incessantemente imagens e perfis no Facebook, até que conseguiu chegar à localização do burlão e entregá-lo à polícia, na passada sexta-feira.

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