Paulo Macedo diz que problema da habitação “vai demorar anos” a resolver e não é com uma ou duas medidas
FILIPE AMORIM/LUSA

Paulo Macedo diz que problema da habitação “vai demorar anos” a resolver e não é com uma ou duas medidas

"Não pode ser só através do financiamento e da garantia, tem que ser através de várias medidas”, de rendas acessíveis e de “casas a preços controlados, de habitação pública”, exemplificou CEO da CGD.
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O presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, avisou esta quinta-feira, 5 de novembro, que o problema da habitação “vai demorar anos” a resolver, mais do que uma legislatura, considerando que a solução não virá só de uma ou duas medidas.

“Não vale a pena achar que é com uma ou duas medidas que se vai resolver este problema, que vai demorar anos”, advertiu, durante a apresentação de resultados da Caixa Geral de Depósitos (CGD) dos nove primeiros meses do ano, em Lisboa, na nova sede da instituição financeira, em Lisboa.

O CEO do banco público – instituição que registou um lucro líquido de 1.434 milhões de euros de janeiro a setembro, mais 2,5% do que no mesmo período de 2025 – disse que é adepto de se incentivar o aumento da oferta de casas, através de várias medidas.

Isso “não pode ser só através do financiamento e da garantia, tem que ser através de várias medidas”, de rendas acessíveis e de “casas a preços controlados, de habitação pública”, exemplificou.

“Sou a favor dessas várias medidas”, disse.

“Sou a favor da garantia. Prefiro que haja mais pessoas com acesso a casa – e não acho que o preço vem da garantia, vem de não haver 300 mil casas”, referiu.

Paulo Macedo disse que esta é questão “não só muito séria, mas que se vai arrastar durante anos, porque Portugal não vai fazer 300 mil casas em dois anos, nem em três”, perspetivou.

O gestor considerou ainda que a subida dos preços das casas em Portugal está acima do normal, mas avisou que será difícil que baixem.

“Uma das variáveis que não é totalmente falada é que em 6-7 anos [...] tivemos mais de um milhão de pessoas e, portanto, temos uma procura totalmente diferencial face à oferta”, disse, sublinhando que “enquanto estes valores não se aproximarem – e a maior parte das pessoas que procuram casa são jovens –, será difícil o preço das casas baixar”, reforçou.

Outra questão diferente, frisou, é o valor das casas de segmento muito alto, onde “os preços ainda são mais expressivos”, cuja tendência deverá seguir o mercado internacional.

“Relativamente ao preço das casas, não acho esta subida normal”, admitiu.

Paulo Macedo disse que “é preciso ver um horizonte para as diferentes medidas que já foram aprovadas”, dando como exemplo a simplificação nos licenciamentos, em que umas câmaras serão mais rápidas e outras mais morosas.

O presidente executivo da CGD afirmou ainda que é preciso tornar as casas mais baratas.

Relativamente a incentivos fiscais, defendeu que se seja mais seletivo, quer para o lado da oferta, quer para o lado da procura.

Paulo Macedo sustentou ser necessário haver um mercado arrendamento muito mais dinâmico e estável, para os proprietários colocarem no mercado casas com confiança relativamente às regras de atualização das rendas.

O CEO mostrou-se favorável a que haja algum tipo de habitação destinada a trabalhadores em mobilidade, como professores, forças de segurança e profissionais de saúde, e quanto a apoios direcionados a jovens, considerou que são importantes.

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