Patriarca diz que Papa não validou comunhão de divorciados

D. Manuel Clemente cuidadoso na análise à forma como os temas mais controversos são abordados na exortação apostólica "Amoris Laetitia" (A Alegria do Amor), do Papa Francisco

O cardeal patriarca, D. Manuel Clemente, defendeu hoje que a exortação apostólica "Amoris Laetitia (A Alegria do Amor) do Papa Francisco "Não tem novidade em relação ao que João Paulo II e Bento XVI nos dizem em relação à situação eclesial dos divorciados", rejeitando a interpretação de que o Bispo de Roma terá finalmente aberto a porta a que os divorciados possam comungar.

Francisco, que defendeu que os casais de divorciados e unidos de facto devem ser "mais integrados" pela Igreja Católica e que "ninguém pode ser punido para sempre", sugeriu que o papel destes na igreja "pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais, sendo necessário, por isso, discernir quais das "diferentes formas de exclusão atualmente praticadas" devem ser eliminadas. Referiu expressamente que estes não são "excomungados".

Mas para o Cardeal Patriarca nenhuma destas afirmações equivale a um sinal de que o direito a comungar - há muito reivindicado por católicos divorciados - lhes tenha sido conferido. D. Manuel Clemente defendeu que o reconhecimento de que estas pessoas têm o seu lugar na vida da Igreja não significa que possam "simultaneamente" estar numa situação em que perante a Igreja violam um "sacramento" - o matrimónio - e participam noutro - a comunhão.

De resto, defendeu não ter sido por acaso que, na lista de aspetos da vida da Igreja em que estes fiéis devem ter a sua participação reforçada, o papa não incluiu a componente sacramental: "Se ele quisesse fazê-lo teria lá posto o adjetivo "sacramental", quando fala no pastoral e no litúrgico", sustentou.

Ainda assim, D. Manuel Clemente acabou por admitir que as palavras do papa se prestam a diferentes interpretações: "julgo que da parte do papa e dos seus organismos centrais virão orientações mais claras. mal seria se ficássemos assim", disse, considerando ainda que Francisco "não podia" ter sido mais claro na exortação apostólica, até porque esta surge na sequência de dois sínodos sobre a família em que este foi claramente um dos temas mais controversos.

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