Passar o Natal no fim do mundo, entre coalas e cangurus

Casal português que decidiu viajar pelo mundo com os filhos passa esta noite numa caravana, na ilha Kangaroo, na Austrália.

Kangaroo Island, Austrália. É no meio de coalas, cangurus, papagaios e patos que nos escrevem André Carvalho e Carolina Quina, os dois portugueses que se desfizeram de tudo para viajar pelo mundo durante oito meses com os três filhos. Estão a viver numa caravana, que decoraram com enfeites de Natal, numa espécie de "jardim zoológico natural". A noite de Natal será passada ali mesmo, em família. "É provavelmente um dos locais mais remotos onde já estivemos na vida. Estamos literalmente no fim do mundo", dizem ao DN.

Nas vésperas da tão aguardada noite, o jantar ainda não estava definido. "Comprámos guardanapos e enfeites e já decoramos a caravana, mas jantar ainda não temos. Pensámos em comprar um peru, mas como não sabíamos se o parque tinha forno não comprámos", conta ao DN André Carvalho, 38 anos. A uma hora do supermercado mais próximo, o casal ainda não sabia se ir conseguir comprar "algum prato mais natalício e algum tipo de doce". Felizmente, destacam, foram ao supermercado antes de ir para a ilha Kangaroo e compraram comida "a contar com esta eventualidade".

É verão na Austrália. "Para nós Natal é frio, claro. Mas entretanto já entrámos no espírito". Além das decorações na caravana, colocaram luzes de Natal no exterior. Nas cabeças dos miúdos - Leonor, de 8 anos, Pedro, de 5, e André Maria, de 19 meses - gorros de pai Natal, esse senhor das barbas brancas que ainda alimenta o imaginário dos três. "No dia em que chegámos a Melbourne, a Carolina ficou com os miúdos e eu fui às escondidas comprar os presentes para eles, pois ainda acreditam no Pai Natal e é algo que queremos manter".

Carolina e André combinaram "deixar uma carta ao Pai Natal", na qual lhe disseram que este ano não queriam presentes para dar a outras pessoas", pois a grande prenda da família era a viagem. Pela primeira vez, vão passar o Natal afastados do resto dos familiares. "Eu e a Carolina temos os dois pais separados, pelo que temos sempre, à partida, quatro locais para ir no Natal". Além disso, ainda têm por hábito ir almoçar a casa de uma tia. "Normalmente é uma correria, que começa no dia 24 ao almoço e só acaba tarde no dia 25. Este ano, por opção nossa, vai ser exatamente o oposto." Claro que vão ter saudades da família e do Natal em Portugal. "Mas já que não íamos estar este ano, que a experiência fosse totalmente diferente."

A Kangaroo é "ilha grande, mas muito pouco explorada e desenvolvida". Tem "algumas das praias mais bonitas da Austrália onde podemos ver colónias de leões marinhos, focas e pinguins." Além dos coalas, cangurus - dos quais podem estar a dois metros o tempo que quiserem, pois não fogem, papagaios de variadíssimas cores, patos de várias espécies e outros animais". Muitos que nunca tinham visto: um paraíso para miúdos e graúdos.

Antes de chegar à ilha, esta família portuguesa esteve um mês e meio na Tailândia, onde foi "a quase todo o lado: Banguecoque, norte e várias praias e ilhas." Seguiram depois para Melbourne, na Austrália, onde alugaram uma caravana para fazerem a Great Ocean Road e Adelaide. Na terça-feira seguem para a Tasmânia.

André Carvalho e Carolina Quina venderam os bens que tinham em Portugal e embarcaram a 19 de outubro naquela que será, certamente, a viagem das suas vidas. Tiraram uma espécie de ano sabático, mas que é também um investimento a nível profissional. Enquanto viajam, vão conhecer destinos e contactar com empresas e guias com os quais podem vir a estabelecer parcerias para a agência de viagens que criaram: a Blue Olive.

Enquanto ele está responsável por contar as aventuras da família no blogue blueolive.org, ela é professora da filha mais velha em regime de homeschooling. "É uma experiência única poder estar todos os dias a conhecer sítios diferentes e a viver experiências novas em família. Tem sido uma surpresa também para nós. O que sentimos é que todos os dias queremos aproveitar ao máximo e os miúdos também", contam. Dormir na caravana é, na opinião dos pais, aquilo que mais os vai marcar. Afinal, não é todos os dias que podem "andar com a casa às costas e dormir na cama em cima dos pais."

Do que viveram até ao momento, o casal destaca as experiências no Norte da Tailândia, nomeadamente os templos, as tribos e os animais, e o contacto que estão a ter agora com os animais no seu habitat natural. Mas aquilo que mais os surpreendeu foi mesmo o espírito com que estão a viver a viagem. "Esperávamos ao fim de dois meses já não sentir que estamos de férias, esperávamos habituar-nos à viagem como uma condição nova da nossa vida. Mas isso não acontece, parece que em cada dia queremos viver mais do que o anterior." Além de que, cada dia que passa, estão mais unidos.
Outra surpresa, acrescentam, foi "a diferença das sociedades tailandesas e australianas". "É tudo tão diferente. Numa viagem deste tipo veem-se bem as diferenças culturais entre os povos e por vezes tentamos encontrar referências com os nossos hábitos, mas não é fácil." Até agora, mesmo entre turistas, os australianos foram aqueles com quem tiveram maior empatia.

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