País vai gelar e Lisboa aciona plano de apoio aos sem-abrigo

Descida das temperaturas a partir desta noite e até sábado levou autoridades a lançar alertas à população. Na capital, o Pavilhão do Casal Vistoso vai estar aberto para quem não tem casa

O alerta das autoridades para uma descida das temperaturas, a partir desta noite, que vão deixar o país com os termómetros próximo ou abaixo dos zero graus, levou a Câmara Municipal de Lisboa a decidir acionar ao final da tarde de hoje o plano de contingência para as pessoas sem-abrigo. Também o diretor geral da Saúde, Francisco George, reforçou ontem alguns conselhos de como a população se deve preparar para o frio (ver caixa) e a Proteção Civil emitiu um comunicado com avisos e medidas para o tempo frio, que se avizinha.

Em Lisboa, a partir das 19.30, o Pavilhão do Casal Vistoso, no Areeiro, vai estar preparado para acolher as pessoas sem-abrigo. "Ali serão servidas refeições quentes, alimentos e distribuídos agasalhos", anunciou ontem a autarquia em comunicado.

A partir do momento em que está acionado o plano municipal, as instituições que prestam apoio de rua aos sem-abrigo desencadeiam também um reforço no serviço prestado. É o caso da Comunidade Vida e Paz que distribui refeições pela cidade e que nestes dias tem "o cuidado de distribuir refeições quentes e agasalhos, apesar de não ser da nossa competência".

Também o Metro de Lisboa refere que está disponível para abrir estações se o plano de contingência municipal assim o determinar. Esse será um pormenor que só hoje será anunciado pela autarquia na apresentação do plano para os próximos dias. Porém, a empresa salienta que "em episódios anteriores se comprovou que as estações do Metro, pelas suas características técnicas, têm muito pouca procura nestas situações".

Nos próximos dias as temperaturas vão cair entre 4 e 9 graus, e além das pessoas que não têm abrigo, também os idosos, crianças e doentes crónicos merecem a atenção das autoridades de saúde e de proteção civil.

Pior da gripe ultrapassado

A confirmação definitiva só surgirá "esta quinta-feira" mas, segundo avançou em conferência de imprensa o diretor -geral da Saúde (DGS), Francisco George, tudo indica que o pico da gripe deste inverno já terá ficado para trás. Em condições normais, acrescentou a subdiretora-geral, Graça Freitas, a incidência deverá baixar "ao mesmo ritmo" a que foi subindo, o que significa que "dentro de quatro semanas, os casos deverão ser residuais".

Mas esta notícia surge ao mesmo tempo em que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alerta para a aproximação a Portugal de uma frente polar, que poderá baixar os termómetros entre sete e nove graus na quarta e quinta-feira. Por isso, a DGS aconselha também os cidadãos, sobretudo os mais idosos e com doenças crónicas, a tomarem um conjunto de precauções, como manter o corpo hidratado, proteger-se do frio, com resguardos e evitando saídas à rua e aquecer a casa, mas tendo especial atenção às fontes de calor potencialmente perigosas, como lareiras e braseiras.

"Não estamos perante um cenário especialmente alarmante" ressalvou Francisco George, mas tomando as medidas preventivas "adequadas" é possível prevenir "problemas grandes", sobretudo entre a população mais idosa.

Este inverno tem sido particularmente rigoroso, com um "excesso de mortalidade" face a anos anteriores, ainda que a DGS considere ser prematuro fazer balanços. Mas do que já não existem dúvidas é que a incidências destas mortes está a fazer-se sentir sobretudo entre os mais velhos.

"A grande expressão dos óbitos é na população com mais de 75 anos e em particular no grupo com 85 e mais anos", confirmou Francisco George. A DGS enviou ontem à União Europeia um relatório preliminar da situação portuguesa a qual, de acordo com o diretor-geral de Saúde, não é muito diferente da verificada no espaço europeu.

Este ano a estirpe dominante do vírus da gripe é o A (H3N2), associado a uma maior mortalidade. Ao longo da epidemia foram registados cerca de 100 internamentos em cuidados intensivos, dos quais 10 registaram em mortes. Na maior parte dos casos eram pessoas de idade, não vacinadas. O Serviço Nacional de Saúde já ofereceu 1,180 milhões de vacinas.

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