Ovos de dinossauro levavam entre três e seis meses a incubar

Estudo de embriões fossilizados dos grandes répteis extintos há 65 milhões de anos lançou pela primeira vez luz sobre a fase inicial do seu desenvolvimento

O período de incubação dos ovos de avestruz, os maiores de todos, com quase quilo e meio e cerca de 20 centímetros de comprimento, é em média de 42 dias. Já os os ovos dos répteis levam bem mais tempo: podem ser vários meses. E os ovos de dinossauro, de quanto tempo precisariam para eclodir?

Até agora, esta era uma pergunta para a qual não havia nenhuma resposta concreta, apenas conjeturas. Sendo eles os antepassados das atuais aves, deveriam ter períodos de incubação parecidos, entre 11 e 85 dias (os extremos conhecidos nas aves), certo? Não, errado. Um estudo pioneiro realizado por paleontólogos norte-americanos, a partir de ovos e embriões de dinossauro fossilizados, mostra que o período de incubação dos ovos de dinossauro era mais longo, entre os três e os seis meses, consoante a espécie.

Aquela "lentidão", dizem os cientistas, poderá, de resto, ter sido mais uma das desvantagens, a somar a outras, que impediram a sobrevivência daqueles répteis gigantes, que se extinguiram há 65 milhões de anos.

Num artigo publicado hoje na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, um grupo de investigadores dos Estados Unidos e do Canadá explica como estudou um conjunto de ovos e embriões de duas espécies diferentes de dinossauros - o pequeno Protoceratops, que tinha apenas o tamanho de uma ovelha, e o gigantesco Hypacrossaurus - para chegar àqueles resultados.

"O período de desenvolvimento no interior do ovo é crucial, mas sabemos pouco sobre este estágio inicial naquelas espécies porque os embriões de dinossauro bem preservados são muito raros", explica Darla Zelennitsky, da universidade canadiana de Calgary e uma das autoras do estudo. "Esses fósseis, no entanto, é que podem ajudar-nos a perceber se o seu desenvolvimento seria mais parecido com o que acontece hoje nos répteis ou nas aves", sublinha. Foi esse o foco do estudo, que usou embriões de dinossauro encontrados no deserto de Gobi, Mongólia (o mais pequeno), e em Alberta, Canadá, o maior.

Os investigadores fizeram primeiro uma tomografia computorizada dos pequenos esqueletos e depois retiraram um dente de cada um para os observar ao microscópio eletrónico. Sob as poderosas lentes, os cientistas observaram as linhas de crescimento dos dentes que lhes permitiram contabilizar os dias correspondentes à incubação no interior do ovo - tal como acontece com os troncos das árvores, que têm linhas de crescimento anuais, os dentes têm também marcadas linhas de desenvolvimento, mas cada uma corresponde a um dia.

Os pequenos Protoceratops passavam três meses a desenvolver-se dentro do ovo, os outros levavam seis. Os cientistas querem agora estudar embriões de outras espécies de dinossauros para expandir este conhecimento. Assim haja mais embriões de dinossauro para isso.

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