O mercado dos wearables para Android é extremamente concorrencial, com várias marcas a oferecerem aparelhos de grande qualidade. A Google, com a sua linha Pixel - chegada a Portugal no ano passado - passou a ser mais uma grande opção a ter em conta, com o seu relógio Pixel Watch a destacar-se pela quase perfeita integração com o sistema operativo que a gigante americana da tecnologia licencia a outros fabricantes para os seus telemóveis..O Pixel Watch 2, tal como escrevemos há quase um ano neste espaço, destacou-se por coisas como nunca nos ter deixado perder uma notificação recebida no smartphone (algo que, infelizmente, não podemos dizer da maioria dos especimens de outros fabricantes...), ou pelos crescentes serviços da Fitbit (marca de monitorização de exercício que a Google adquiriu em janeiro de 2021). O Watch 3 - que acaba de ser comercializado em Portugal e que estamos a testar há duas semanas - aperfeiçoa (sem “revolucionar”) as conquistas da geração anterior..Além disso (e, poderia dizer-se, “a pedido de muitas famílias”), o 3 vem pela primeira vez em dois tamanhos: de 41mm e 45mm, este último mais indicado para pulsos XL.De resto, excetuando esta questão, à primeira vista não existem grandes diferenças entre o Watch 2 e o 3, apesar de a Google referir que, no modelo de 41mm, o ecrã útil é maior, pois a moldura “foi reduzida 16%”. Mas sem uma comparação pormenorizada lado a lado tal é pouco percetível..O que é notório, no entanto, é a melhoria no ecrã, designadamente o facto de este conseguir reduzir a luminosidade até apenas 1 nit - algo que é precioso para não perturbar quando, por exemplo, se anda em casa às escuras. O brilho máximo anunciado é de 2000 nits, mais do que suficiente para que o mostrador tenha sempre boa leitura, mesmo sob sol intenso..Apesar de uma das grandes vantagens do Watch 3 serem as novas ferramentas de monitorização de exercício, a que (sim, confessamos!) mais utilizámos foi a nova autodeteção do sono. Por fim, a Google inclui algo que à primeira vista parecia tão simples, mas não existia: se o relógio “perceber” que o utilizador adormeceu, automaticamente coloca-se a si e ao telefone em modo de “Não perturbar”, de forma a que este não seja acordado por telefonemas ou mensagens..Tal torna-se possível, também, por uma característica que este Watch 3 tem em relação à geração anterior: é notoriamente mais rápido nas medições e avaliações que faz. Um exemplo: a Google afirma, na sua documentação, que o aparelho pode demorar “até 15 minutos” a sair do modo “Não incomodar” depois de a pessoa adormecer. Pela nossa experiência, nunca demorou mais de uns 2-3 minutos a fazê-lo..A maior rapidez é igualmente notória no carregamento da bateria (relativamente à geração anterior). Apesar de o Pixel Watch continuar a ter de ser carregado todos os dias - neste aspeto, os chineses da Huawei e da Xiaomi continuam a dar cartas -, o tempo do “duche e fazer a barba” para sair de casa é mesmo suficiente para trazer a carga a 100%, enquanto no Watch 2 esta se fica pelos 90 e qualquer coisa por cento....A versão de 41 mm do Watch 3 (na rua, em utilização diária) é à primeira vista difícil de distinguir do Watch 2. As diferenças estão no interior. FOTO: RSF.Fitbit Plus começa a ser um must?.No Watch 3, através da integração com o Fitbit, todas as manhãs somos saudados com uma mensagem personalizada que nos lembra dos objetivos físicos do dia, o “estado de prontidão” do corpo e, claro, como foi o sono. Só é pena termos de programar manualmente os objetivos de “hora de deitar”, “hora de levantar” e que o sistema (pelo menos após duas semanas consecutivas) não tenha percebido sozinho que uma pessoa trabalha à noite e, como tal, não acorda de manhã cedo....Neste relatório são incluídas duas das novas medições que a Fitbit passou a utilizar (com recurso a fórmulas adaptadas pelos seus cientistas e algoritmos de IA) como forma de auxiliar os utilizadores a conseguirem os seus objetivos..Uma é a “carga cardíaca” (Cardio Load) medida relativamente às Zonas de Minutos Ativos - Active Zone Minutes (ou seja, quanto tempo ativo esteve a pessoa dentro de um intervalo predefinido de pulsação cardíaca). Estes intervalos são definidos internacionalmente, mas a Fitbit afirma alterar a fórmula comummente utilizada (introduzindo o conceito de “Carga Cardíaca”, que é personalizado tendo em conta a preparação física do utilizador, de forma a encontrar o “ponto ótimo” de exercício. Leia o documento clínico da Fitbit com a argumentação científica para estes parâmetros AQUI..Esta é, aliás, uma das razões para que o Watch 3 demore as duas primeiras semanas em “calibração cardíaca”..Outro indicador trabalhado pela Fitbit (também relacionado com o Cardio Load é a Prontidão (Readiness) do corpo. Depois de qualquer sessão de exercício, o corpo precisa de descansar um determinado período. O Fitbit utiliza todas as medições que tem -incluindo as mencionadas acima - para calcular em que estado o utilizador se encontra dia após dia, de forma a dar-lhe a informação de que necessita. Porque por vezes há dias em que não vale a pena ir “malhar” e mais vale ficar a recuperar. Pode ler o documento clínico da Fitbit com a argumentação científica (em inglês) AQUI..Claro que há outro fator que nem o relógio nem a app resolvem... conseguir a força de vontade para ir fazer alguma coisa, por mais que o relatório diga que está na hora de nos mexermos!.Os sensores desta geração são os mais precisos alguma vez conseguidos, diz a Google. FOTO: Google.A correr com IA.Nesta geração de smartwatches, a Google fez uma clara opção em tentar agradar ao público que faz da corrida o seu exercício principal. Tanto no relógio como na app da Fitbit foram melhoradas as funcionalidades de preparação de corrida (incluindo preparar percursos, saber como vai estar o tempo...) até aos relatórios finais de análise do exercício, em que cada período pode ser examinado ao detalhe (velocidade atingida, frequência cardíaca, Active Zone Minutes, Cardio Load, etc. .Durante a própria corrida o relógio mostra, de facto, de forma muito simples, se estamos dentro dos objetivos previstos ou se é tempo de acelerar (ou abrandar...)..Para tirar partido em pleno de todas estas (e mais algumas...) funcionalidades, no entanto, é preciso ser subscritor do Fitbit Plus. Só com esta mensalidade, de 9 euros por mês, é possível aceder a todos os relatórios. De outra forma, tudo funciona à mesma... mas de forma menos eficiente..Controlo da câmara e dos aparelhos domésticos melhorado.Dois detalhes que aforam trabalhados no Watch 3 foi no controlo de câmara e na integração com o Google Home..Relativamente ao primeiro, passa a ser possível controlar grande parte das funcionalidades da câmara dos smartphones Pixel através do relógio (que, tal como na geração anterior, funciona como viewfinder), incluindo a Astrofotografia - o que é particularmente útil para se poder deixar o telefone estacionário e usar o relógio para fotografar as estrelas, num local sem poluição luminosa..Quanto ao Google Home, o Watch 3 passa a poder funcionar como telecomando dos aparelhos ligados à rede de smart devices ligados à rede da Google, como os Chrome TV. Simples e prático, de facto..Versão LTE vale o preço a mais?.Ao contrário do que aconteceu com o Watch 2, a Google trouxe com o 3 para Portugal a versão com ligação à rede móvel, pelo que será possível optar por comprar um relógio que faça chamadas e se ligue à internet, mesmo que o telemóvel tenha ficado em casa. E apesar do acordo da Google com a Vodafone (os Pixel apenas se vendem através desta operadora cá, além da Worten, Fnac e, claro, no site store.google.com) este não está bloqueado a esta rede. Só que apenas a Vodafone e a Meo, no momento, têm a tecnologia de “clonagem” de eSIM necessária para usar o LTE no relógio -pelo que, se não tem e não quer ter uma destas redes, não vale a pena fazer o investimento na versão mais cara do relógio..Isto porque se os Watch 3 custam 400 euros na versão de 41mm e 450 euros na de 45mm, são ambos 100 euros mais caros se tiverem ligação à rede móvel..Esta, ao mesmo tempo, pode dar-lhe alguma paz de espírito: como por exemplo o relógio ser capaz de detetar sozinho se tiver um acidente de automóvel, cair de uma altura grande ou até se ficar submerso em água durante muito tempo sem se movimentar, e ligar sozinho para o 112 e chamar uma ambulância. É daquelas coisas que esperamos que nunca venhamos a utilizar mas... há certas coisas que o dinheiro não paga.