A Ordem dos Médicos (OM) exigiu esta segunda-feira, 15 de junho, explicações urgentes aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SMPS) sobre a falha de energia que afetou os sistemas informáticos do SNS na última sexta-feira, que terá deixado mais de 150 mil atos clínicos "Uma comunicação institucional imediata teria sido essencial para informar e apoiar os médicos, proteger os doentes e assegurar que os profissionais sabiam como atuar perante o problema em concreto", afirmou o bastonário Carlos Cortes, em comunicado da Ordem dos Médicos, no qual acrescentou que "não deixa de ser estranho e preocupante que os SPMS não tenham contactado a Ordem dos Médicos até ao dia de hoje", sublinhando que "este bloqueio de informação é incompreensível"."As falhas afetaram unidades de saúde de todo o país, condicionaram o acesso à informação clínica e comprometeram a realização de atos essenciais à prestação de cuidados", complementou, afirmando ser "indispensável conhecer, com rigor e transparência, o que aconteceu, quais as causas concretas, os sistemas afetados, durante quanto tempo estiveram indisponíveis e que medidas foram adotadas para garantir a continuidade da atividade clínica e a segurança dos doentes"."Muitas consultas não se realizaram ou foram adiadas. Uma ocorrência com impacto direto no acesso dos doentes aos cuidados de saúde, na qualidade da decisão médica e na organização do trabalho", acrescentou Carlos Cortes, considerando tratar-se da "segunda falha grave" em menos de um mês: "A 22 de maio, uma falha de segurança afetou dados administrativos e informação associada a processos clínicos de mais de 100 mil utentes em todo o país, incluindo crianças.""Quando os sistemas informáticos falham, os médicos ficam sem acesso a dados indispensáveis, como antecedentes clínicos, medicação habitual, alergias, exames, prescrições de medicamentos e de exames, referenciações e informação relevante para a continuidade dos cuidados. Isto aumenta o risco clínico e coloca os profissionais perante decisões tomadas em condições degradadas", alertou o bastonário.A Ordem dos Médicos defende a existência de planos de contingência claros, testados e conhecidos pelos profissionais, com orientações clínicas e operacionais simples, circuitos alternativos, referenciação e acesso à informação essencial, bem como procedimentos seguros de registo e validação posterior dos atos realizados.Na carta aos SPMS, Carlos Cortes solicita ainda esclarecimentos sobre os sistemas de redundância existentes e sobre o projeto do segundo polo de infraestrutura central dos SPMS, anunciado para reforçar a resiliência dos sistemas críticos do SNS.