A Ordem dos Engenheiros (OE) manifestou “a sua perplexidade” com a nomeação, formalizada por despacho publicado na segunda-feira, 9 de fevereiro, em Diário da República, de Fábio Alves Teixeira para coordenador da Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis 2030 (EMER 2030).O despacho, assinado a 2 de fevereiro pelo presidente da entidade, Manuel Nina - que até ao mês passado integrava o gabinete do secretário de Estado da Energia, Jean Barroca” - sustenta que Fábio Alves Teixeira “possui currículo académico e profissional que evidencia o perfil adequado” para o cargo.No entanto, de acordo com a nota curricular associada à nomeação, não é indicada qualquer formação académica nem experiência profissional na área das energias renováveis. O percurso descrito inclui uma pós-graduação de um ano em Gestão de Projetos, na Porto Business School, e experiência como gestor de projetos ligados ao desenvolvimento e implementação de software, consultoria, inovação social e recrutamento internacional na área da saúde.O novo coordenador, licenciado em Enfermagem em 2018, pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, tem feito principalmente, um percurso profissional como assessor governamental”. Entre outubro de 2024 e 2 de novembro de 2025, trabalhou no gabinete da atual ministra da Cultura, Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes.A EMER 2030, criada em 2024 para acelerar e organizar o licenciamento de projetos de energias renováveis, entidade sob tutela da ministra do Ambiente e da Energia, está associada a tarefas técnicas e operacionais no âmbito do PRR. A OE considera que, “atendendo às áreas de intervenção da EMER 2030”, “a coordenação dos trabalhos desta Estrutura exige competências e experiência próprias de profissionais de engenharia”, defendendo que a função deve ser assumida por “engenheiros eletrotécnicos ou engenheiros especialistas na área da energia, detentores de conhecimentos técnicos essenciais no domínio das energias renováveis e na gestão dos recursos energéticos nacionais”.No comunicado, a Ordem sublinha ainda que se trata de matérias que “configuram atos de engenharia”, com “elevadas exigências ao nível da responsabilidade técnica e da confiança pública”, e por isso “reafirma a necessidade de reavaliação imediata dos critérios que sustentaram a nomeação para a coordenação da EMER 2030.”.Enfermeiro coordena energias renováveis. Presidente da EMER justifica nomeação com critérios legais e técnicos