O juiz de instrução criminal Carlos Alexandre decidiu aplicar a prisão domiciliária, ainda que sem pulseira eletrónica, como medida de coação para os dois principais arguidos da "Operação Picoas", o cofundador da Altice Armando Pereira e Hernâni Vaz Antunes, considerado o seu braço-direito..O Ministério Público (MP) tinha pedido prisão preventiva para o arguido Hernâni Vaz Antunes e prisão domiciliária para Armando Pereira, com a salvaguarda de esta poder ser convertida ou substituída por uma caução de 10 milhões de euros..Para Armando Pereira, o MP pedira ainda a proibição de contactos com outros arguidos ou pessoas e empresas fornecedoras da Altice..Os outros dois arguidos do processo, Jéssica Antunes, filha de Hernâni Vaz Antunes, e o contabilista Álvaro Loureiro, saem em liberdade, sujeitos ao pagamento de cauções de 500 mil e 250 mil euros respetivamente, como tinha pedido o Ministério Público....Neste processo está em causa uma "viciação decisória do grupo Altice em sede de contratação, com práticas lesivas das próprias empresas daquele grupo e da concorrência" que apontam para corrupção privada na forma ativa e passiva e para crimes de fraude fiscal e branqueamento de capitais..Os investigadores suspeitam que a nível fiscal o Estado terá sido defraudado numa verba superior a 100 milhões de euros..A investigação indica também a existência de indícios de "aproveitamento abusivo da taxação reduzida aplicada em sede de IRC na Zona Franca da Madeira" através da domiciliação fiscal fictícia de pessoas e empresas. Entende o MP que terão também sido usadas sociedades 'offshore', indiciando os crimes de branqueamento e falsificação..O cofundador da Altice Armando Pereira está indiciado de 11 crimes, entre os quais seis corrupção ativa e um de corrupção passiva no setor privado, além de quatro de branqueamento e crimes não quantificados de falsificação de documentos no processo 'Operação Picoas'..De acordo com o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) do MP, a operação desencadeada em 13 de julho, que levou a três detenções, contou com cerca de 90 buscas domiciliárias e não domiciliárias, entre as quais instalações de empresas e escritórios de advogados em vários pontos do país. Hernâni Vaz Antunes foi o quarto arguido a ser detido, mas tal ocorreu apenas no dia 15, após entregar-se às autoridades..Nas buscas, o DCIAP revelou que foram apreendidos documentos e objetos, "tais como viaturas de luxo e modelos exclusivos com um valor estimado de cerca de 20 milhões de euros".