Jovem refresca-se num fontanário público em Zagreb, na Croácia
Jovem refresca-se num fontanário público em Zagreb, na CroáciaEPA/ANTONIO BAT

Onda de calor extremo continua a atingir a Europa e a bater recordes de temperatura

Termómetros acima do 40 graus em várias cidades europeias já provocaram mortes e disrupção em muitos serviços. Portugal escapou na última semana, mas vai enfrentar mais calor a partir da próxima
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A onda de calor que tem afetado grande parte da Europa continua a intensificar-se e a deslocar-se para leste, tendo já provocado temperaturas recorde em países como Alemanha, Dinamarca, França, Reino Unido e Suíça. Os termómetros ultrapassaram os 40 graus em várias cidades europeias, com as autoridades a reforçarem os alertas para os riscos para a saúde pública, incêndios e falhas nas infraestruras.

A vaga de calor já provocou mesmo dezenas de mortes, sobretudo em França, e tem colocado sob forte pressão os sistemas de saúde, os transportes e o abastecimento de água em diversos países, reporta a agência Reuters. O fenómeno deverá estender-se para a Europa Central e Oriental durante os próximos dias, impulsionado por um bloqueio atmosférico conhecido como "Omega block", que mantém uma massa de ar quente estacionária sobre o continente.

Alemanha passa os 41 graus, viagens de longo curso canceladas

A Alemanha voltou este sábado, 27 de junho, a bater o recorde absoluto de temperatura. Depois dos 41,3 graus registados na sexta-feira junto a Saarbrücken, o Serviço Meteorológico Alemão registou 41,5 graus em Drewitz, no estado da Saxónia-Anhalt, segundo a AFP. Em Berlim, a estação meteorológica de Tempelhof registou 39,2 graus durante a tarde, um novo máximo para a capital, que poderá ainda atingir os 40 graus durante este fim de semana.

As temperaturas elevadas provocaram danos em estradas e linhas ferroviárias. A Deutsche Bahn, empresa ferroviária estatal, permitiu aos passageiros cancelar gratuitamente viagens de longo curso até ao início da próxima semana para reduzir a pressão sobre a rede ferroviária, enquanto uma outra empresa, a National Express, suspendeu parte da circulação no estado da Renânia do Norte-Vestefália.

Em Berlim, a polícia utilizou canhões de água para refrescar moradores e turistas, depois de as piscinas públicas terem esgotado a lotação ainda antes da hora de almoço. A emissora pública RBB noticiou ainda a morte de duas pessoas enquanto nadavam.

Dinamarca com a temperatura mais elevada em mais de 150 anos

A Dinamarca registou este sábado a temperatura mais elevada desde o início dos registos meteorológicos, em 1874. O Instituto Meteorológico Dinamarquês anunciou uma máxima de 37 graus a norte de Aarhus, superando o anterior recorde nacional.

França com mais de 50 mortes

A França continua a ser um dos países mais afetados pela vaga de calor. Já mais de 50 pessoas, na maioria jovens, morreram devido a afogamentos desde o início da onda de calor, a 18 de junho. O calor interrompeu também serviços ferroviários, afetou a produção de eletricidade, levou ao encerramento de escolas, ao adiamento de eventos ao ar livre e à proibição da venda de álcool em algumas zonas.

O gabinete do primeiro-ministro francês advertiu que, apesar de a onda de calor estar a perder intensidade, a pressão sobre os hospitais deverá manter-se durante vários dias. As autoridades registam também um aumento do número de incêndios florestais face ao mesmo período do ano passado.

Veja fotos da onda de calor que atravessa a Europa:

Itália

O Ministério da Saúde italiano colocou 18 cidades, entre as quais Milão, Roma, Turim, Veneza, Florença, Génova e Bolonha, sob alerta vermelho para sábado e domingo, prevendo temperaturas próximas dos 40 graus. Na cidade alpina de Bolzano foi registada a noite de junho mais quente de sempre, com a temperatura mínima a não descer dos 25,4 graus.

A vaga de calor está também a fazer baixar rapidamente o caudal do rio Pó, o maior de Itália, que atravessa o principal vale agrícola do país e é essencial para a produção de arroz, milho, tomate e do leite utilizado no famoso queijo Parmigiano Reggiano.

Segundo a agência inter-regional Aipo, o caudal desceu para menos de 300 metros cúbicos por segundo, quando a média para junho ronda os 1.500. A redução do caudal está a permitir a entrada de água salgada do mar Adriático em vários canais de irrigação, ameaçando as culturas. "Nunca tinha descido tão depressa, tão cedo no ano", afirmou Stefano Calderoni, da associação italiana de irrigação Anbi, citado pela AFP. Especialistas alertam que, mantendo-se o ritmo atual, as reservas de água poderão esgotar-se em poucas semanas.

Polónia e Europa Central

Depois de atingir a Europa Ocidental, a massa de ar quente está agora a avançar para leste. A Polónia registou temperaturas superiores a 30 graus em quase todo o território, enquanto Roménia, Eslováquia, Hungria, República Checa e Moldávia emitiram alertas para calor extremo. Em Bratislava, a temperatura mínima da madrugada de sexta-feira ficou nos 26,3 graus, estabelecendo um novo recorde para a capital eslovaca.

Suíça

Na Suíça, especialistas alertam para um degelo excecionalmente rápido dos glaciares. O chamado "glacier loss day", que assinala o momento em que os glaciares perdem toda a neve acumulada durante o inverno e começam a consumir gelo antigo, deverá ocorrer já na segunda-feira (29), a segunda data mais precoce desde o início dos registos, segundo o organismo suíço de monitorização dos glaciares (Glamos). Os especialistas alertam para taxas de degelo excecionais em toda a cordilheira dos Alpes.

Reino Unido

No Reino Unido, a vaga de calor começou a perder intensidade durante o fim de semana, mas deixou um rasto de consequências. O país registou um novo recorde de temperatura para o mês de junho, com 37,3 graus, enquanto centenas de voos sofreram atrasos devido às trovoadas associadas ao calor extremo. Segundo o The Guardian, pelo menos cinco pessoas morreram afogadas nos últimos dias ao tentarem refrescar-se em rios, lagos e outras massas de água, numa das consequências mais graves do episódio de calor. O calor levou ainda muitas famílias a procurarem alojamentos com ar condicionado e obrigou hospitais a ativarem planos de contingência devido à pressão sobre os serviços de saúde.

Portugal escapou, para já, mas próxima semana traz mais calor

Ao contrário do que aconteceu em grande parte da Europa Ocidental, Portugal escapou esta semana à vaga de calor devido à aproximação de uma depressão proveniente de oeste, que transportou uma massa de ar mais fresco sobre o continente, explicou à SIC o meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Jorge Ponte.

A situação poderá, contudo, alterar-se já na próxima semana, pois os modelos meteorológicos apontam para uma subida acentuada das temperaturas, com possibilidade de um episódio de onda de calor. "Podemos ter aqui um episódio de uma onda de calor na próxima semana. A intensidade e a duração ainda é um pouco incerta (...), mas neste momento os cenários previstos são da ordem dos 40 ºC a 42 ºC, por exemplo, no Alentejo. Mesmo Lisboa poderá atingir valores próximos dos 40º", afirmou o meteorologista.

As regiões Centro-Sul e Sul deverão ser as mais afetadas, embora o Norte também possa registar temperaturas muito elevadas.

com agências

Jovem refresca-se num fontanário público em Zagreb, na Croácia
Nova onda de calor atinge Europa e coloca vários países em alerta máximo
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