O primeiro dia do resto da vida contra as alterações climáticas

Pontos fortes do Acordo de Paris são oportunidade para salvar o planeta

Houve aplausos quando o Acordo de Paris foi aceite, no sábado, pelos representantes de mais de 190 países na cimeira do clima, na capital francesa. Depois de duas décadas de duras negociações, de avanços e recuos e de impasses prolongados, o novo documento traça agora um rumo comum para travar o aquecimento do planeta. A contagem decrescente para o fim da utilização dos combustíveis fósseis, ou pelo menos para a sua redução drástica, começou finalmente. Mas o caminho ainda é longo, e com obstáculos.

Há uma visão positiva consensual: o acordo estabelece uma meta, traça um caminho e pela primeira vez envolve todos os países. Como os não desenvolvidos queriam, ele prevê que a subida da temperatura do planeta não deve exceder o valor de 1,5 graus Célsius até final do século, em relação à média na era pré-industrial, e afirma que, algures na segunda metade do século, as emissões de gases com efeito de estufa deverão cessar - uma parte pode ser absorvida, ou por novas manchas florestais ou com tecnologias entretanto operacionalizadas.

A maior fraqueza do documento é a de não estabelecer metas concretas de reduções de gases com efeito de estufa, deixando a cada país o encargo de as anunciar, a partir de 2020, ano em que ele entra em vigor. Até lá, o acordo ainda vai ser assinado em Nova Iorque, na sede das Nações Unidas, no Dia da Terra, a 22 de abril, e terá ainda de ser ratificado nos vários países.

Para a generalidade dos observadores, este é sobretudo o início de uma nova fase na luta contra as alterações climáticas, uma vez que o texto contempla a obrigação da revisão das metas de redução de emissões apresentadas pelos diferentes países, a cada cinco anos, a partir de 2023, o que vai permitir ajustar o caminho à meta da descarbonização total na segunda metade do século.

Até à última, esta foi uma negociação renhida. Já com o documento pronto e apresentado, houve uma divergência final: um tempo verbal, que os Estados Unidos conseguiram mudar de shall (deverá) para should (devia), o que evita que o documento tenha que passar pelo senado, onde seria provavelmente chumbado.

Até 2020, entretanto, as emissões de gases com efeito de estufa ainda vão aumentar - alguns países em desenvolvimento garantiram essa permissão - e, ainda antes de 2030, atingirão o pico máximo. A partir daí, terá de ser sempre a reduzir. Para as petrolíferas, este não é, portanto, um problema para já. E é bem provável que os preços do barril de crude se mantenham baixos e assim acabem por dar o empurrão necessário a uma mudança, para que nessas grandes empresas passem a investir em energias limpas.

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