O novo CEO do SNS quer a Saúde a mandar mais do que as Finanças

O ex-presidente do Conselho de Administração do São João no Porto vai gerir agora todo o SNS, depois de ter criticado Marta Temido.

O Governo parece ter-se rendido às críticas que fez sobre a gestão e falta de recursos do Serviço Nacional de Saúde e escolheu mesmo Fernando Araújo, ex-presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de São João no Porto para diretor executivo do SNS. E apesar de António Costa ter garantido uma linha de continuidade na política de Marta Temido.

O médico e gestor, reconhecido como um crítico linha seguida pela ex-ministra - vários artigos de opinião no JN atestam-no -, censurou em entrevista ao DN a "excessiva politização dos cargos públicos" e o seu impacto no setor e defendia que o facto das Finanças terem mais poder que a Saúde "limita a autonomia das decisões e faz com que não haja responsabilização dos gestores num processo".

Estas palavras foram ditas no ano passado quando acabava de ter recebido o Prémio Kaizen pela resposta da sua unidade à covid-19 e a medalha de serviços distintos da Ordem dos Médicos.

Esta segunda-feira, António Costa deu uma pista de quem podia ser o escolhido, ao elogiar o funcionamento dos serviços de urgência no norte do país. "Não tenham dúvidas nenhumas que Lisboa tem muito a aprender com o Porto, nomeadamente em relação ao funcionamento das urgências, tem muito a aprender com o Porto", afirmou o primeiro-ministro em entrevista à TVI 24.

Segundo a estação, o responsável ainda não respondeu oficialmente ao convite porque aguarda a promulgação do novo estatuto do SNS, algo que só acontecerá depois de Marcelo Rebelo de Sousa regressar de Angola, depois de marcar presença na tomada de posse de João Lourenço.

Fernando Araújo foi diretor do serviço de Imuno-hemoterapia e do Centro de Medicina Laboratorial do Centro Hospitalar Universitário São João. Ocupou cargos de direção na Ordem dos Médicos e Secretário de Estado Adjunto e da Saúde entre 2015 e 2018, quando Adalberto Campos Fernandes era ministro.

Aos 56 anos, este portuense é um médico que assumiu ter gosto pela gestão, tanto que fez uma fez mesmo uma pós-graduação na área na Universidade Católica do Porto.

Nos seus artigos de opinião, que agora deixa de escrever no JN, e também em entrevista ao DN mantinha que a Saúde estava suborçamentada e batia-se por mais recursos humanos nas unidades de saúde, apesar de reconhecer que houve um reforço nesse campo por parte do ministério da Saúde, que passou das mãos de Marta Temido para as de Manuel Pizarro.

Segundo fontes da Saúde, enquanto secretário de Estado teve um papel importante no combate à obesidade , com medidas de redução de açucar e sal nos alimentos.

Em julho escreveu no JN sobre a valorização das horas extraordinárias dos médicos: "O problema dos decisores políticos é por vezes cometerem a imprudência de, em sistemas complexos, optarem por soluções populistas. Colocar mais dinheiro, sem uma estratégia clara e um planeamento adequado, não resolve os constrangimentos, como ainda pode criar novos problemas."

paulasa@dn.pt

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