Novos genéricos para a diabetes cortam preço para metade
A entrada no mercado dos novos medicamentos genéricos da Dapagliflozina — substância indicada para a diabetes tipo 2, insuficiência cardíaca e doença renal crónica — irá permitir uma redução expressiva na fatura de saúde das famílias portuguesas.
Considerada "um antidiabético primordial para a diabetes tipo 2", a Dapagliflozina é uma substância ativa fundamental para o controlo dos níveis de açúcar no sangue. Além da ação na diabetes, esta molécula desempenha um papel determinante no tratamento de patologias cardiovasculares e renais associadas, sendo também "receitado para a insuficiência cardíaca e a doença renal crónica", o que faz dela uma solução terapêutica crucial para centenas de milhares de doentes.
A criação do respetivo Grupo Homogéneo, pelo INFARMED, trará um "benefício para 900 mil utentes", uma vez que garantirá o "acesso a medicamentos mais baratos, já que passam a existir genéricos comparticipados da Dapagliflozina, 50% mais baratos que o medicamento de referência de marca, o Forxiga", escreve a Associação de Utentes de Medicamentos Genéricos (UMG) em comunicado enviado ao DN.
A medida, formalizada pela Deliberação n.º 069/CD/2026, traz "vantagens claras para os Utentes, para o Estado e para o funcionamento do mercado", diz a associação, pois serve para definir a comparticipação pública e promove "a acessibilidade e a escolha de medicamentos com maior relação custo-eficácia".
Os doentes têm a garantia de aceder à "mesma qualidade, segurança e eficácia, pois os genéricos aprovados demonstram sempre a bioequivalência relativamente ao medicamento de marca", ficando igualmente assegurado o "direito de opção informado: a farmácia deve informar o utente sobre todas as alternativas disponíveis".
Em reação à decisão da autoridade reguladora do medicamento, o médico António Oliveira Andrade, presidente da Mesa da Assembleia Geral da UMG, destaca o impacto da medida: “Esta decisão do INFARMED vai beneficiar cerca de 900 mil utentes que sofrem da diabetes tipo 2 e que passam a ter acesso a um conjunto medicamentos genéricos com preços 50% mais baratos.”
Além do alívio direto para os cidadãos, a mudança conduz a uma poupança anual "superior a 45 milhões de euros" para o SNS, diz a associação.
A UMG lança assim "um forte apelo aos Profissionais de Saúde para não desviarem a prescrição/dispensa de soluções terapêuticas contendo Dapagliflozina para outras moléculas que ainda não tenham versão genérica, nomeadamente Empagliflozina".
Ao mesmo tempo, a associação insta o regulador a "acelerar a introdução de mais genéricos no mercado nacional", lembrando que, segundo o relatório Health at a Glance 2025 da OCDE, os genéricos representam 52% do mercado em volume em Portugal, longe de países como o Reino Unido (80%) ou a Alemanha (78%).

