Portugal, Brasil e França vão trabalhar em parceria na primeira Cátedra com a chancela da Unesco na área da educação para a Saúde e bem-viver”, para “desenvolverem e testarem novas abordagens nesta área. O objetivo é “preparar profissionais e instituições para lidarem com a incerteza, com a complexidade e com o risco sistémico”, característicos do setor do Saúde, mas de forma mais inclusiva e transformadora, “combinando conhecimento científico com metodologias de antecipação, construção de cenários e participação cidadã”, segundo foi explicado ao DN.A parceria, subordinada ao tema "Futuros da Educação para a Saúde e Bem-Viver", foi formalizada em Paris, a 26 de janeiro, e será anunciada nesta quinta-feira, dia 29, em Lisboa. E reúne três instituições públicas que “congregam forte vocação científica e compromisso com o serviço à comunidade” - NOVA Medical School (Portugal), Fundação Oswald Cruz (Brasil) e Université Paris-Est Créteil (França), refere a nota que anuncia o novo projeto da Unesco.De acordo com a mesma, as três instituições terão como missão “mobilizar redes internacionais, potenciar sinergias com outras Cátedras e iniciativas no âmbito do Programa UNITWIN/UNESCO Chairs, e desenvolver ações conjuntas de investigação, ensino, capacitação e disseminação, com potencial de escala e replicação em múltiplas geografias”, o que faz o diretor da NOVA Medical School afirmar: “Estamos muito entusiasmados por integrar um projeto tão desafiante e empenhados em colocar toda a nossa experiência e conhecimento ao serviço desta iniciativa, contribuindo ativamente para a inovação na educação em saúde e para a construção de soluções com impacto real nas comunidades”. Para Pedro Póvoa, “a formalização desta Cátedra com a UNESCO representa um passo decisivo no reforço do nosso compromisso com sociedades de conhecimento mais inclusivas”, considerando mesmo que “a educação e a investigação, assentes em colaborações internacionais inovadoras e orientadas para o desenvolvimento sustentável, são um motor de transformação da saúde e do bem-viver”.A Cátedra sobre “Futuros da Educação para a Saúde e Bem-Viver” irá funcionar como uma plataforma internacional que pretende “reforçar a articulação entre educação, saúde, tecnologia e sustentabilidade, promovendo literacia de futuros e governação antecipada aplicadas à formação, à investigação e ao trabalho com comunidades”. Na prática, e como explicaram ao DN, “o seu propósito é contribuir para respostas mais justas e eficazes perante a aceleração das mudanças que afetam a saúde — desde os determinantes sociais e ambientais às transformações tecnológicas, das novas vulnerabilidades aos desafios de confiança e de coesão social — com especial enfoque na equidade e em soluções co-desenhadas com os territórios”..Ao longo dos próximos anos serão trabalhados e testados “programas de ensino e formação avançada”, com o objetivo de “capacitar educadores, decisores e profissionais para integrar pensamento de futuros e colaboração intersectorial na prática, promovendo modelos pedagógicos inovadores e orientados para o impacto”. A Cátedra reforçará ainda a ligação entre academia, serviços e comunidades, promovendo projetos participativos e laboratoriais em contextos reais, alinhados com a ambição de acelerar inovação sustentável e melhorar o bem-estar ao longo do ciclo de vida.Recorde-se que a NOVA Medical School, escola médica da Universidade NOVA de Lisboa, tem mais de 45 anos de existência e conta com uma rede de mais de 25 unidades de saúde, entre elas os nove hospitais que integram a Unidade Local de Saúde São José, em Lisboa.