Nobel da Medicina 2016 destaca importância de estabelecer desafios

"Aos jovens gostaria de dizer que nem toda a investigação pode ter êxito, mas é importante definir um desafio", afirmou o japonês Yoshinori Ohsumi, hoje distinguido com o Nobel da Medicina

O japonês Yoshinori Ohsumi, hoje distinguido com o Nobel da Medicina pela descoberta do mecanismo de autofagia celular, destacou a importância de "estabelecer desafios" embora "nem toda a investigação científica possa resultar em êxito".

"É uma honra poder ser valorizado desta maneira porque eu fiz um estudo de medicina básica. Este prémio é o maior motivo de alegria e satisfação para um cientista", explicou aos jornalistas o biólogo japonês de 71 anos após saber que o Instituto Karolinska de Estocolmo o tinha premiado com o Nobel da Medicina.

Ohsumi, que trabalha no Instituto de Tecnologia de Tóquio, foi distinguido por descobrir o processo de degradação e reciclagem dos componentes celulares, conhecido como "autofagia".

"Aos jovens gostaria de dizer que nem toda a investigação pode ter êxito, mas é importante definir um desafio", afirmou o biólogo, que reconheceu que a sua descoberta teve muito a ver com sorte.

Quanto à sua motivação, Ohsumi, sexto Nobel da Medicina nascido no Japão, afirmou que sempre quis estudar "matérias que não foram estudadas por outros cientistas", segundo declarações recolhidas pelo canal público NHK.

No seu comunicado, o Instituto Karolinska escreveu que as descobertas de Ohsumi, de 71 anos, "levaram a um novo paradigma na compreensão de como a célula recicla o seu conteúdo".

"As suas descobertas abriram o caminho à compreensão da importância fundamental da autofagia em muitos processos fisiológicos, como a adaptação à fome ou a resposta à infeção. As mutações nos genes da autofagia podem provocar doenças e o processo autofágico está envolvido em diversos problemas, incluindo o cancro e a doença neurológica.

Yoshinori Ohsumi nasceu em 1945 em Fukuoka, no Japão e terminou o seu doutoramento na Universidade de Tóquio em 1974.

Após três anos na Universidade Rockefeller, em Nova Iorque, regressou à Universidade de Tóquio, onde estabeleceu a sua equipa de investigação, em 1988.

Desde 2009, é professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio.

A temporada dos prémios Nobel 2016 começou hoje com o anúncio do Nobel da Medicina e prossegue com o da Física (terça-feira), da Química (quarta-feira), da Paz (sexta-feira) e da Economia (dia 10).

O Nobel da Literatura será atribuído a 13 de outubro.

Os prémios Nobel, criados em 1895 pelo químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (inventor da dinamite), foram atribuídos pela primeira vez em 1901.

O prémio Nobel corresponde a uma recompensa de oito milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de 834.000 euros.

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