"Não vai ser fácil sobreviver a esta tragédia": familiares de vítima de Lamego

O marido de Fernanda Costa encontrava-se na fábrica de pirotecnia, assim como o proprietário, uma filha, dois genros, uma sobrinha e outro trabalhador

Familiares de um dos trabalhadores que se encontrava na fábrica pirotécnica de Avões, em Lamego, à hora da explosão, estavam hoje completamente desolados com "esta tragédia", à qual "não vai ser fácil sobreviver".

"Foi uma desgraça muito grande! Estava aqui em Avões quando isto aconteceu e fui quase uma das primeiras a chegar, ainda não havia bombeiros", lamentou Fernanda Costa, explicando que quando chegou ao local onde o marido, natural de Barrô, trabalhava, "já estava tudo a arder".

"Já tinha rebentado tudo e só depois é que começaram a haver mais explosões, quando já estavam aqui os bombeiros. Estava tudo a arder e muito fumo, chamei, chamei e ninguém falou", relatou.

De acordo com Fernanda Costa, o marido de 39 anos, encontrava-se na fábrica de pirotecnia, assim como o proprietário, uma filha, dois genros, uma sobrinha e outro trabalhador.

"Tirando o meu marido e o colega, eram todos familiares. Pelo menos estavam oito pessoas: seis homens e duas mulheres", acrescentou.

Para já, Fernanda Costa ainda não tinha a confirmação de que o seu marido estava entre as vítimas mortais, uma vez que os corpos "estão irreconhecíveis".

"Não sabem dizer quem são, mas parecem ser homens, neste caso só lá estavam duas mulheres? Vai ser muito complicado, nem sei como vou dizer aos meus filhos", desabafou.

Com dois filhos menores, um de 17 meses e outro com nove anos, Fernanda Costa teme pelo futuro, já que não trabalha e o marido era o único sustento da casa.

"Nunca tinha acontecido nada e tinham tantas festas, mas sempre correu tudo bem. Isto pela primeira vez, foi uma desgraça muito grande: não foi um aviso, não podia ser uma desgraça maior?", lamentou.

Aos jornalistas disse ainda que pelo menos quatro pessoas que se encontravam na fábrica de pirotecnia, entre os quais um casal (filha e genro do proprietário), têm filhos menores.

Também a sogra do mesmo trabalhador, que se encontrava no local das explosões, lamentou a tragédia.

"Não sei como vamos ultrapassar isto, com o meu menino sempre a chamar pelo papá", referiu.

Quatro pessoas morreram hoje na sequência de várias explosões numa fábrica de pirotecnia e quatro outras estarão desaparecidas, segundo as autoridades.

De acordo com o comandante territorial de Viseu da GNR, Vítor Rodrigues, as operações em curso na zona da fábrica pirotécnica onde ocorreu a explosão, cerca das 17:50, deverão durar várias horas.

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