O Ministério Público (MP) pediu esta quinta-feira a condenação dos ex-fuzileiros Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko pelo homicídio qualificado do agente da PSP Fábio Guerra, reforçando que o primeiro seja punido com pelo menos 20 anos de prisão..Nas alegações finais do julgamento em curso no Juízo Central Criminal de Lisboa, o MP salientou que o tribunal deve aplicar aos dois arguidos "penas privativas de liberdade", realçando que "os factos são muito graves" e destacando a conduta e antecedentes criminais de Cláudio Coimbra na medida da pena a impor, sem o ter feito em relação a Vadym Hrynko.."Não resulta qualquer dúvida de que a morte resulta de lesões traumáticas, não há qualquer dúvida por parte do perito [da autópsia] em afirmar que a causa da morte foi pelas ações dos dois arguidos", afirmou o procurador Luís Lourenço, que enfatizou: "As situações aqui são de especial censurabilidade e perversidade. A forma como os arguidos atuaram, ao atingirem as pessoas na cabeça quando já estavam no chão, demonstra uma especial censurabilidade"..O magistrado Luís Lourenço salientou ainda a prática dos crimes de tentativa de homicídio de Cláudio Pereira e do polícia João Gonçalves (colega de Fábio Guerra) e de ofensas à integridade física qualificada aos agentes Leonel Moreira e Rafael Lopes, evidenciando ainda a ausência de arrependimento dos arguidos e que estes foram informados pelos polícias da sua condição de agentes da autoridade durante a confusão.."Ao desferirem os socos e pontapés violentos, designadamente na zona da cabeça dos ofendidos, os arguidos sabiam que tais condutas poderiam provocar a morte daqueles cujas cabeças socaram e pontapearam indiscriminadamente e conformaram-se com tal resultado, fazendo-o repetida e sucessivamente, o que viria a culminar na morte de Fábio Guerra", vincou, repetindo a ideia que já estava expressa no despacho de acusação..Ao longo das alegações, o MP indicou também a maior fragilidade de Fábio Guerra em comparação com os arguidos e os próprios colegas e a sua intervenção para "afastar os arguidos da prática dos ilícitos" no exterior da discoteca Mome, em Alcântara (Lisboa), na madrugada de 19 de março de 2022.."Estamos a falar de uma pessoa que tem 1,72 metros de altura e 55 quilos. Vimos aqui os arguidos e as testemunhas, a maior parte bem constituída, e uma pessoa que era notoriamente mais frágil do que as restantes", observou..Considerando que "deverão ser dados como provados os factos que constam da acusação relativamente à atuação dos arguidos", o procurador defendeu também o pagamento de uma indemnização de cerca de 184 mil euros à família de Fábio Guerra..A leitura do acórdão do julgamento dos dois ex-fuzileiros pelo homicídio do polícia Fábio Guerra foi esta quinta-feira agendada para dia 5 de maio, às 09:30, anunciou a juíza-presidente Helena Susano após as alegações finais..O agente da PSP Fábio Guerra, 26 anos, morreu em 21 de março de 2022, no Hospital de São José, em Lisboa, devido a "graves lesões cerebrais" sofridas na sequência das agressões de que foi alvo no exterior da discoteca Mome, em Alcântara, quando se encontrava fora de serviço..O Ministério Público (MP) acusou em setembro os ex-fuzileiros Cláudio Coimbra e Vadym Hrynko de um crime de homicídio qualificado, três crimes de ofensas à integridade física qualificadas e um crime de ofensas à integridade física simples no caso que culminou com a morte do agente da PSP Fábio Guerra.