Ministro pede desculpa após 5.ª morte por legionela

Parlamento aprovou por unanimidade audição dos responsáveis na Comissão da Saúde no dia 29. Já há 50 casos notificados

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, a administradora do Hospital São Francisco de Xavier, Rita Perez, e um responsável do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, vão dar explicações ao Parlamento sobre a crise da legionela no próximo dia 29. Os responsáveis máximos pelo serviço nacional de saúde em Portugal serão ouvidos na Comissão da Saúde, confirmou o seu presidente, o deputado do PSD José Matos Rosa.

Estas audições, adiantou, foram decididas "com o acordo de todos os grupos parlamentares". A data foi escolhida tendo em conta que nessa altura já será conhecido o relatório sobre as causas do surto de legionela que teve origem no Hospital São Francisco Xavier e que, até ao início da noite de ontem e desde 31 de outubro, infetou 50 pessoas, provocando a morte a cinco pessoas delas. Documento pedido pelo ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes.

"Aí, já estaremos habilitados. Só não fazemos mais cedo estas audições por falta do relatório e por causa do debate do Orçamento do Estado para 2018", justificou o presidente da Comissão de Saúde. Matos Rosa frisou, no entanto, que o objetivo é também "fazer um ponto da situação em termos nacionais", e não só discutir os casos do Hospital São Francisco Xavier.

Ministro pede desculpa

Ontem, no Parlamento, e no dia em que se soube da quinta morte por legionela, o ministro da Saúde pediu desculpas às vítimas da infeção e defendeu o pagamento de indemnizações - está a ser apurada a responsabilidade em inquéritos da responsabilidade do Ministério Público e da Inspeção-geral das Atividade em Saúde. As vítimas, disse o ministro, são credoras de um pedido de desculpas "do hospital, das empresas responsáveis pela vigilância, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo". Adalberto Campos Fernandes subscreveu o pedido de desculpas, "enquanto responsável pelo governo", acrescentando: "Tem de haver reparação no âmbito da responsabilidade civil por quem possa não ter feito aquilo que devia ter sido feito". "Isto não serve de desculpas para que os hospitais e as empresas não estejam reguladas por uma legislação mais exigente", disse, anunciando que amanhã a Direção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge vão publicar orientações atualizadas e "mais exigentes" para estas situações.

Legionela em Mangualde

A Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) revelou ontem que foi detetada legionela ambiental numa colheita efetuada em meados de outubro no Centro de Saúde de Mangualde, espaço que mantém "a sua atividade normal". "O ACeS [Agrupamento de Centros de Saúde] Dão Lafões e os Serviços de Saúde Pública asseguram as medidas adequadas para a continuação do controlo da situação, não havendo evidência de risco acrescido para a saúde pública, mantendo o Centro de Saúde de Mangualde a sua atividade normal", informou a ARSC.

No Programa de Vigilância e Controle do Agrupamento de Centros de Saúde do ACeS Dão Lafões, já tinha sido detetada, em 2016, legionela ambiental nesta unidade de saúde.

Com Lusa

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