Metamorfose à beira rio anuncia uma nova Cacilhas

Plano municipal pretende transformar o velho Cais do Ginjal num moderno espaço. Câmara não arrisca dizer quanto irá custar

Eis o resumo do plano que ambiciona transformar em novo o velho Cais do Ginjal, banhado pelo Tejo, em Cacilhas (Almada). Na frente de rio de um quilómetro, os degradados e abandonados armazéns industriais deverão dar lugar a modernas residências, escritórios, comércios e praças temáticas viradas a sul para evitar o vento de norte. A proposta do Plano de Pormenor (PP) ontem apresentado pela autarquia, e que vai agora entrar em discussão pública, não estima orçamento nem prazo de construção, mas admite-se que talvez dentro de uma década seja possível começar a desenhar a nova cara com as primeiras casas no cais que reclama para si a "melhor vista sobre Lisboa", sobretudo a partir dos resistentes restaurantes Atira-te ao Rio e Ponto Final.

A vereadora Amélia Pardal liga o PP à atratividade alcançada com a requalificação da rua Cândido dos Reis, uma artéria paralela ao Ginjal, onde reinava o desordenamento, mas que passou a ter novos usos e investidores - e até hotéis - quando passou a pedonal.

"Precisamos de ligar a rua ao largo de Cacilhas e depois ao Ginjal. A Cândido dos Reis é o início de uma dinâmica que queremos para a entrada em Almada que é Cacilhas por via do rio", sublinha a autarca, adivinhando um trabalho longo, mas já com passos agendados. Primeiro vem a requalificação do largo, já com candidatura ao Portugal 2020, estando em carteira a criação do núcleo museológico da Marinha. Depois terá lugar a mudança dos terminais rodoviário e marítimo.

Logo a seguir avança a requalificação do Ginjal, o mesmo cais que foi iniciado em 1845 quando João Teotónio Pereira, figura ligada ao comércio, aqui se instalou uma indústria de abastecimento de água aos navios e armazéns de vinho, azeite e vinagre. A ideia é começar pela zona da restauração, ainda junto ao cais de embarque, seguindo-se os antigos armazéns, a maioria destelhados, grafitados e com paredes a ameaçarem a ruína. Sem perder de vista a consolidação da arriba com recuros a técnicas de arquitetura que englobam a flora autóctone.

O PP propõe a construção de um conjunto de edifícios na primeira linha de rio que não descaracterize a morfologia atual das fachadas dos armazéns. Esta frente, que será erguida para eliminar eventuais galgamentos do rio, tem duas funções fundamentais à luz do plano. Os 330 fogos que aqui serão construídos pretendem servir como habitação, mas também serviços e comércios. "Quem quiser ter casa junto ao local de trabalho tem aqui a sua oportunidade", justifica Amélia Pardal.

A população prevista é de 693 habitantes, mas terá que ser distribuída por uma segunda linha habitacional nas traseiras dos atuais armazéns. "O turismo terá aqui o seu espaço", explica a autarca, tendo projetado hotelaria, comércio, apartamentos turísticos, mercados das artes, espaços associativos e multifuncionais dirigidos ao cinema e teatro. O PP indica que só os moradores e as viaturas de emergência terão acesso a esta zona. Os outros terão de deixar as viaturas num silo ali próximo e só lá poderão chegar a pé, procura a autarquia replicar o sucesso alcançado na rua Cândido dos Reis

Este quase boicote aos carros abre portas a criação de praças em pleno Ginjal, permitindo espaços de fruição com diferentes vocações. "Umas mais comerciais, outras mais culturais e outras apenas contemplativas", explica Luís Bernardo, chefe da divisão de Estudos e Planeamento da Câmara de Almada, justificando que o cais é estreito, pelo que houve necessidade de recuar novos espaços. "De inverno, com vento norte, o cais é um espaço inóspito e nada confortável. Com este conceito da segunda linha e um arruamento interior vamos criar espaços muito mais protegidos e com conforto".

E quanto ao orçamento desta metamorfose à beira-rio? O presidente da Câmara, Joaquim Judas não arrisca um valor para a intervenção que abrange uma área superior 80 mil metros quadrados, recordando que o terreno pertence a um privado e que a ambição do PP é adiantar trabalho. O Ginjal pertence ao grupo de promoção imobiliária da Madeira "Avelino Farinha e Agrela", que terá a última palavra depois de ter comprado o património à Galp.

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